Já ouviu falar da rabeca chuleira? Trata-se de um violino popular especialmente utilizado na zona do Douro e Minho para acompanhar a chula, uma dança típica da região. Manuel Miranda é natural de Amarante e é um dos artesãos que mantém viva a tradição da construção deste instrumento.

A ligação à música começou desde cedo e continua até aos dias de hoje. Com pouco mais de 10 anos, chegou a ter instrução musical, andou, depois, em grupos de música ligeira e, mais tarde, participou num grupo de raiz tradicional e foi aí que voltou aos instrumentos mais tradicionais.

Viveu “um pouco da música” durante esse período, embora a sua profissão fosse desenhador técnico, na área da metalomecânica, e, há cerca de 12 anos, juntou os dois mundos e começou a fabricar violinos.

Entretanto, houve um grupo de música tradicional, em Amarante, que mostrou intenção de reavivar a utilização da rabeca chuleira, uma vez que a chula está “muito enraizada” na região.

Foto: Grupo Propagode

Um amigo trouxe-lhe um exemplar e Manuel Miranda logo pôs mãos à obra e começou a construir uma rabeca chuleira, há aproximadamente uma década. Conta que é um instrumento semelhante ao violino, que tem quatro cordas friccionadas por um arco, mas o seu braço é mais curto que o do violino, para “a afinação que se pretende”. Cada construtor “faz uma à sua maneira”, mas “há técnicas que é preciso respeitar”.

Quanto aos materiais que utiliza, refere que são “madeiras cortadas na região”, deslocando-se à floresta ou procurando em carpintarias.

“É um instrumento que tem um som muito mais agudo, que era para a chula. A chula era cantada por uma mulher e por um homem e a mulher cantava muito agudo e era mais para ajudar a ficar mais consonante com a voz da mulher e tentar fazer um violino mais agudo”, explica.

Fez uma para tocar e vai construindo algumas mediante encomendas específicas que tem para grupos musicais ou para pessoas que querem uma recordação. No entanto, hoje em dia, não é muita a procura que tem, já que “não é muito fácil de executar”, pois “requer um bocado de instrução”, e é também “caro, artesanal e demora tempo para fazer”.

Quando vê o seu trabalho a ser utilizado por algum grupo considera que é “gratificante” e sente-se “feliz”.

Aos 67 anos, confessa que não conhece quem vá prolongar a tradição para as gerações seguintes e acredita que seria “uma boa divulgação” da rabeca se tentassem colocá-la em mais “algumas músicas mais tradicionais”.