A arbitragem surgiu por acaso na vida de António Almeida, natural de Santa Cruz do Douro, Baião, e tem sido o principal motivo pelo qual já percorreu vários campos de Portugal e do mundo. Hoje, já depois de pendurar o apito, é observador de árbitros de futebol de praia e continua ligado a esta grande paixão.

O baionense começou por jogar futsal, mas teve de “abdicar da carreira enquanto jogador” pois tinha sido colocado na sua profissão como polícia em Lisboa. No entanto, mal sabia que um dos seus amigos tinha feito a sua inscrição num curso de árbitro. “Recebi uma carta a notificar-me para me apresentar na Associação de Futebol do Porto”, lembra, referindo que gostou “de estar nos jogos enquanto árbitro” e tinha “curiosidade” nesse papel.

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Começou, então, a apitar alguns jogos de futsal e internacionais de futebol de praia, tentando conciliar as partidas e as viagens com os turnos da profissão e a família, mas admite que era “complicadíssimo”. É casado e tem dois filhos, mas confessa que “nestas muitas idas e vindas, a esposa teve de fazer o papel de mãe e pai”, uma vez que acabava por estar em viagem cerca de “60 a 70 dias entre março, abril e agosto, sendo que em cada competição ia, no mínimo, dez dias”.

António Almeida explica que as regras destes dois desportos são “completamente diferentes” e que no futebol de praia “há muito mais ‘fair-play e a tomada de decisão do árbitro é muito mais aceite”, sendo que tem de haver “sempre um golo, nunca pode acabar empatado”. Nesse sentido, recorda que nunca chegou a ter “jogos complicados em termos de controvérsia”. Além disso, sublinha também toda a “envolvência” do ambiente neste desporto, como “a praia e a música ambiente” e confessa que, “desde a primeira hora” que foi indicado internacionalmente, levou sempre consigo a bandeira do município.

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Contudo, 45 anos é a idade limite na carreira de um árbitro nestes desportos, por isso, o “último sopro no apito” que deu foi no ano passado, com o seu filho a segundo árbitro. António Almeida terminou a carreira com o sentimento de “missão cumprida”, uma vez que acredita que, com “trabalho e dedicação”, conseguiu alcançar patamares que não esperava. “A nível de futsal, apitei tudo o que era possível fazer. No futebol de praia, só numa final do campeonato do mundo é que não estive. Mas troquei, troco e voltava a trocar por Portugal estar na final”, refere.

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A ligação a este área que tanto gosta não terminou, porém, por aqui. Recentemente, foi desafiado a abraçar a função de observador de árbitros na vertente de futebol de praia, trabalho que conjuga com a formação que dá.

Vai ver os jogos como observador/assessor, tira as suas notas e regista “o que fazem menos bem”, sendo que mais tarde, em reunião, dá o feedback. “Só tenho de estar satisfeito. É sinal de reconhecimento por parte da federação e por parte da FIFA”, destaca, sublinhando também a “responsabilidade” que esta função acarreta.

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Em casa, um dos seus filhos está a seguir as pisadas do pai, já desde os 14 anos, mas por iniciativa própria. “É ele que pede. São muitos jogos a acompanhar o pai, é normal que lhe tenha surgido o interesse e noto que já está muito grande”, conta.