A culinária e a literatura são, aparentemente, dois mundos completamente distintos, mas, para Jorge Alves, um jovem de Lousada, são duas paixões antigas.

Com 26 anos, o jovem cozinheiro e escritor lousadense já tem um livro de poesia publicado e dá a conhecer os seus dotes culinários no restaurante português Beirão, situado no Luxemburgo.

Natural de Figueiras, Lousada, publicou o seu primeiro livro de poesia, “Anónimo”, em 2019. A paixão pela escrita começou a surgir aos 14 anos e, desde cedo, gostava de escrever os seus livros, “de forma amadora, eram uma espécie de diário”.

Foi com 19 anos que tomou a decisão de escrever esta mais recente obra, finalizada quatros anos mais tarde. Teve a sua apresentação no Centro de Interpretação da Rota do Românico, em Lousada, contando com o prefácio de Cristina Moreira, antiga vereadora da Juventude e do Turismo.

Está no Luxemburgo desde 2020 e começou, mais tarde, a trabalhar no restaurante português Beirão, em Dommeldange. “Nunca esqueço as minhas raízes e por que não relembrar as pessoas de Lousada que têm um escritor jovem?”, disse.

Quando questionado sobre as suas duas áreas profissionais, Jorge Alves confessa que: “muitas vezes, as pessoas questionam-me se o livro é sobre culinária. O que poderia fazer, um livro de receitas, mas opto por outra vertente de escrita, a literatura, áreas totalmente distintas”.

“Na altura que disse à família que ia publicar um livro, eles ficaram surpreendidos, não estavam nada à espera. É uma surpresa, visto que há uns anos ninguém fazia isso e, na zona de Lousada, não é muito comum, conheço uns dois escritores. Por esse motivo é que quero dar a conhecer, fazer publicidade pela nossa zona e divulgar o meu livro de cabeça erguida”, lembra.

Afirma que a área da culinária “começou de forma muito estranha”. “Não sabia o que havia de fazer com a minha vida, então, decidi fazer um curso CEF de culinária”, no qual ganhou “muito gosto pela cozinha” e acabou por decidir fazer uma formação posterior. “Trabalhei em muitas pousadas de Portugal, acabando o curso com equivalência de Cozinha nível um e nível dois de Pasteleiro”, acrescenta.

Jorge Alves admite, em tom de ironia, que “aos 15 anos, nem um tacho de arroz branco conseguia fazer”. A sua paixão pela cozinha foi crescendo ao longo do tempo, principalmente pela cozinha tradicional portuguesa. “Chegava a casa sempre com novas ideias e queria sempre fazer mais e conhecer”, conclui.

Quando questionado em relação à sua emigração para o Luxemburgo, Jorge Alves afirma que “achava que estava a precisar de um novo desafio”. “Nunca tinha emigrado e questionei-me por que não ir, principalmente, para um país com tantos portugueses”, comenta. O jovem mostra-se agradecido pela sua vida no Luxemburgo, admitindo que se sente reconfortado com a comunidade onde vive: “a quantidade de portugueses é tanta que até me sinto em casa, nem senti tanta diferença. Somos a maior comunidade de emigrantes no Luxemburgo. É como se estivesse numa ‘ilha de Portugal’”.

O maior objetivo ao emigrar é “juntar dinheiro para abrir o próprio restaurante, na zona do Vale do Sousa, preferencialmente, em Lousada, e, ao mesmo tempo, fazer uma fusão entre a escrita e a cozinha”. “Quero tentar trazer para cá algo diferente, mudar a visão dos portugueses com novas tendências, como o consumo de mais legumes, por exemplo”, conclui.

Quanto à escrita, Jorge Alves está já a cozinhar a ideia de uma nova obra, “se não for este ano, em 2023”, revelando que, “muitas vezes, é difícil chegar a casa exausto”, mas, nos dias mais livres, arranja “sempre tempo para escrever e ter alguma inspiração”.

Texto redigido com o apoio de Sofia Gomes, aluna estagiária da Universidade de Trás-Os-Montes e Alto Douro