“Fazer O Que Ainda Não Foi Feito”. Este é um dos temas mais conhecidos de Pedro Abrunhosa no álbum “Longe”. É também a garantia de Cristina Vieira para o mandato enquanto presidente da Câmara Municipal de Marco de Canaveses, o qual termina em 2025.

A reeleição deu-se a 26 de setembro de 2021 e veio acompanhada de uma ‘cereja no topo do bolo’: durante os festejos, numa fase em que o anúncio dos resultados (ainda incompleto) já garantia a vitória, foi também anunciada a eleição de um quinto vereador, algo que Cristina Vieira tinha a noção de que seria “muito difícil” acontecer e cuja importância para o próximo mandato não deixa de salientar. “Sinto uma grande felicidade e um grande orgulho porque os marcoenses depositaram novamente a confiança naquilo que foi o meu trabalho e o trabalho da equipa que escolhi para liderar os destinos de Marco de Canaveses há quatro anos. Agora, essa equipa foi reforçada, na prática, com dois vereadores, porque há quatro anos não tínhamos o quarto vereador em funções. Isso também acabou por condicionar um bocadinho a minha ação enquanto presidente de câmara, porque tinha onze pelouros que me foram delegados”, reconhece.

Aquando da distribuição dos pelouros a presidente do município reservou para si o das Obras, Planeamento e Urbanismo, que constituirá para si um “novo desafio”. Neste campo, o trabalho irá centrar-se no Plano Diretor Municipal (PDM), que irá refletir “uma nova estratégia urbanística para a cidade”. Essa estratégia “tem de ser transversal a todas as áreas – social, cultural, educacional e do desenvolvimento económico”, pelo que o trabalho de equipa entre toda a vereação tem de estar afinado. “Agora, temos a capacidade de fazer um trabalho melhor e com melhores condições, com mais tempo, mais calma, mais serenidade, fora da pandemia. Esta maioria acaba por me dar a mim, e à minha equipa, não só mais responsabilidade, mas sobretudo mais motivação para levarmos a cabo aquilo que é o nosso programa eleitoral”, afirma determinada.

São várias as bandeiras desse programa, mas quando questionada sobre qual a medida mais ambiciosa que pretende implementar, a presidente não hesita na resposta: “a minha preocupação maior é resolver o problema das águas. É um dossiê em que viemos a trabalhar ao longo destes quatro anos com interrupções. Não só porque a empresa foi vendida a novos acionistas, e tivemos de retomar no verão de 2019 todas as conversações que já tínhamos tido com os anteriores, mas também porque decidimos que, qualquer que seja a decisão que vamos tomar a curto ou médio prazo, tem de ser baseada em dados financeiros, porque queremos manter as contas do município certas. Não queremos colocar em causa a estabilidade financeira da câmara municipal, com o processo das águas, e também não queremos tomar nenhuma medida que depois nos possamos arrepender mais à frente”, elucida.

“Houve muitos momentos difíceis… fomos todos confrontados com um vírus que todos desconheciam…

Essa gestão com pinças foi posta à prova – e de que maneira! – por um problema que é comum a todos os presidentes de câmara do país e do mundo: a COVID-19, que, embora fisicamente separados, uniu autarcas de todos os quadrantes políticos, independentemente dos respetivos partidos ou ideais. “Houve muitos momentos difíceis… fomos todos confrontados com um vírus que todos desconheciam… era muita incerteza, muita insegurança… mas houve um espírito de camaradagem e solidariedade entre os presidentes de câmara. Ainda hoje temos um grupo do WhatsApp onde acabávamos por colocar informação que achávamos que era útil para nos ajudar nas decisões e, à medida que iam sendo tomadas decisões ao longo do país, eram anunciadas lá”, recorda.

O volume de trabalho, já de si de proporções ‘dantescas’ pela pandemia, agravou-se ainda mais em janeiro de 2021, quando a Câmara Municipal de Marco de Canaveses tomou conta de todas as competências delegadas pelo Governo. “Houve um volume de trabalho muito grande! De um dia para o outro, tomámos conta de mais 293 colaboradores nas áreas da educação e da saúde, mais 13 edifícios, de viaturas, de compras e de tudo o que está ligado com a gestão e a manutenção dos edifícios, desde a aquisição dos fornecimentos normais, do pagamento da energia elétrica, da água, do gás, … tudo isso obrigou os nossos chefes de divisão, e os nossos serviços, a reorganizar-se para dar resposta ao maior volume de trabalho com os mesmos técnicos e com os mesmos colaboradores”, relembra.

Nesse período, o município procedeu à retirada de amianto em todas as escolas do concelho, tendo algumas delas sido alvo de requalificação e de reforço de recursos humanos de diferentes especialidades. A requalificação do Centro de Saúde do Marco, a concretização dos projetos da Ecopista do Tâmega e da Casa dos Arcos foram outras das vitórias referidas por Cristina Vieira durante a entrevista, sem esquecer aquela que diz ser “uma conquista enorme”: a ferrovia. “Não só na descarbonização, mas também na questão da mobilidade. Hoje, temos no Marco de Canaveses adultos – muitos deles jovens – a utilizar o comboio como transporte público”, sublinha.

Para que a população jovem se fixe no concelho e para combater o “problema social da falta de habitação condigna”, a autarquia tem na manga a Estratégia Local de Habitação. “Há hoje famílias que não conseguem ter capacidade financeira para adquirir uma casa a preço de mercado, até porque ultimamente os valores do preço de mercado em termos de habitação aumentaram muito. A estratégia do Governo pressupõe a construção de raiz de habitação para jovens a preços controlados e nós temos esse projeto de construir novas habitações, se possível no centro da cidade. A Câmara Municipal tem terrenos no centro da cidade, mas também não está fora de questão adquirirmos habitação que possa já estar construída ou até construir na área limítrofe do centro da cidade”, revela.

Já para dar resposta aos “problemas estratégicos na mobilidade e no trânsito da cidade”, o município tem em marcha o projeto de construção de um novo viaduto junto à ponte de Canaveses, que irá beneficiar não só o concelho, como também a região.

E os autarcas parecem estar a remar todos para o mesmo lado. “A Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa tem feito um excelente trabalho e a relação entre os presidentes de câmara tem sido muito positiva. Temos sempre um espírito muito grande de solidariedade e de entreajuda”, elogia.

Temos de ouvir mais

Durante os próximos quatro anos, essa entreajuda também terá de ser feita com as empresas do concelho, com as quais, Cristina Vieira, visa estabelecer uma aproximação. “Temos de ouvir mais! Os nossos empresários precisam de ser ouvidos, pois nós, autarcas e decisores políticos, precisamos dos contributos deles para tomar boas decisões naquilo que é o desenvolvimento económico do concelho”, afirma.

Num desses encontros com empresários concelhios, a presidente de câmara chegou a uma conclusão: “existem alguns clusters no Marco de Canaveses, nomeadamente na metalomecânica, metalúrgica, área do setor da extração e transformação da pedra e do têxtil, que necessitam urgentemente de alguns técnicos qualificados. Não existem neste momento, a não ser no CENFIM de Amarante, que faz essa qualificação.”

Face a este cenário, a autarca garante que os formandos que terminam os cursos na referida instituição podem, desde logo, “escolher a empresa em que querem trabalhar no Marco de Canaveses, porque lhes dá uma garantia eficaz e decisiva naquilo que é o seu emprego ou naquilo que é a sua opção ou oportunidade de trabalho”.

E essa mudança de paradigma em relação à forma como os jovens olham para os cursos profissionais será, doravante, aplicada desde tenra idade: “a formação é essencial para a capacitação e o desenvolvimento das nossas empresas e é preciso que as pessoas deixem alguns tabus! Não podemos olhar para o setor da pedra como aquela imagem do pedreiro, do pico a trabalhar a pedra. Hoje, o setor da pedra é completamente ‘limpo’ e organizado. Têm sistemas informáticos que fazem quase tudo e é preciso gente qualificada para trabalhar com esse tipo de sistemas de informação, da mesma forma que é preciso também nas carpintarias, na indústria têxtil e também na indústria da metalomecânica. Por isso, percebemos que era importante trazer as nossas crianças e jovens, e o nosso concelho municipal da educação, para este projeto. As nossas crianças devem logo no ensino primário e no preparatório visitar o nosso tecido empresarial”, considera.

Turismo será uma prioridade

A par do desenvolvimento industrial e da relação com outros presidentes de câmara, outro dos fatores que contribui para a consolidação da coesão territorial é o turismo, setor que será uma prioridade para o Município do Marco de Canaveses. Aquando da criação da aplicação móvel e do site “VisitMarco”, e do Conselho Municipal do Turismo, a autarquia reuniu com todos os operadores turísticos e concluiu o seguinte: “há uma coisa que é muito importante, e que não estava consolidada, que é o conhecimento que têm de ter todos aqueles que fazem hoje do Marco um destino turístico que não se conhecia e esse diálogo que conseguimos concretizar com todos eles foi muito importante e, sobretudo, muito gratificante”, refere satisfeita.

Um dos possíveis elãs do setor turístico do concelho poderá vir a ser o Museu Municipal Carmen Miranda, cujo espólio tem vindo a ser gradualmente aumentado pelo município, em articulação com entidades brasileiras. O edifício será incluído pelo Governo na rede de Museus da Diáspora, facto visto com bons olhos por Cristina Vieira: “o Museu Carmen Miranda vai integrar os programas de divulgação a nível internacional e isso também é importante para nós.”

Todos estes, e outros planos, traçados pelo Município de Marco de Canaveses para os próximos quatro anos vão, no entender da sua presidente, “fazer diferença para melhor na vida dos marcoenses”. Por isso mesmo, e para terminar, deixa uma garantia aos munícipes: “podem contar comigo, com a mesma Cristina Vieira com que contaram há quatro anos. Estou em condições de fazer um mandato extraordinário para o Marco de Canaveses!”