Criada na mesma rua onde a tragédia aconteceu, esta é a história de uma mãe que se recusou a deixar o filho no passado e decidiu transformar a saudade num refúgio para quem fica.
Para Cátia Sousa, de 36 anos, a advocacia era uma vocação, mas a maternidade era o desígnio maior. “Nasci para ser advogada, mas, mais do que ser advogada, nasci para ser mãe”, confessa a natural de Figueiró e residente em Lamoso, Paços de Ferreira. Quando Gustavo nasceu, a 10 de outubro de 2022, após uma gravidez “extremamente tranquila” e sem qualquer percalço, parecia o completar de um sonho.
Mas a vida, na sua brutalidade imprevisível, mudou o rumo da história apenas um mês e meio depois.
Na manhã de 27 de novembro de 2022, o impensável aconteceu. Sem aviso, após uma noite agitada, o pequeno Gustavo entrou em paragem cardiorrespiratória. “Do nada, o Gustavo começou a ficar com o choro abafado, deu um berro e o choro começou a ficar muito mais fraco e começou a ficar roxo”, recorda Cátia.
Movida por um instinto de sobrevivência e guiada pela voz de um enfermeiro do INEM ao telefone, Cátia realizou manobras de reanimação no próprio filho, algo para o qual não tinha qualquer preparação. “Felizmente, nestes momentos, sou mais racional do que emocional”, diz. Fez o que tinha de ser feito, lutou até ao último segundo, mas cerca de 40 minutos depois, já na ambulância, a equipa de socorro confirmava o óbito.
