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Jovem emigrante conta regressar definitivamente a Baião quando a situação pandémica amenizar

José Rocha

10-06-2021

Depois de vários anos emigrada, Beatriz Teixeira ambiciona voltar a solo baionense para "investir num projeto pessoal".

10 de junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, também considerado dia da Língua Portuguesa e do cidadão nacional. Para quem habita em solo nacional, é justo dizer que o simbolismo do feriado não será sentido de forma tão latente como sentem os muitos portugueses emigrados por esse mundo fora. Afinal, quem vive ou viveu a experiência de ser emigrante conhece sobejamente aquela saudade tão característica não só da família e amigos, como também de todos os fatores culturais, gastronómicos, entre muitos outros, que se 'sentem na pele' quando nos encontramos a milhares de quilómetros de distância deste nosso 'país à beira mar plantado'.

De forma a homenagear não só os emigrantes portugueses, como também sofre com saudades nas respetivas terras natais, o Jornal A VERDADE traz-lhe neste feriado três testemunhos de quem se viu obrigado a deixar Portugal e trilhar quilómetros rumo a melhores condições de vida. O primeiro testemunho que lhe damos a conhecer é o de Beatriz Teixeira, jovem de 27 anos natural da freguesia atualmente designada de Campelo e Ovil, no concelho de Baião.

Desde 2019, Beatriz vive com o namorado no Reino Unido, mais propriamente nas Ilhas do Canal, em pleno Canal da Mancha. A decisão de emigrar deu-se por influência do namorado, que trabalhava então na Suíça, e pelas suas condições de trabalho de então. "Eu estava a trabalhar no Marco de Canaveses na minha área, designer de comunicação. Apesar de gostar muito do que fazia, sentia que não era valorizada pelo meu trabalho, sobretudo a nível monetário. Dado que mantínhamos uma relação à distância, decidimos procurar uma alternativa para os dois", explicou.

E, após algumas pesquisas na internet, surgiu a oportunidade de trabalho como casal por terras de Sua Majestade. "O meu namorado já tinha experiência na área de hotelaria. Para mim, era um mundo novo, mas não foi impedimento para conseguir o lugar. Falávamos inglês, mas tínhamos interesse em aprender mais e nada como interagir diretamente com os nativos para desenvolver a habilidade. Decidi então deixar de imediato o trabalho que tinha, sem medos, e aceitar a aventura", recordou.

Rapidamente, a jovem inteirou-se das principais diferenças entre os dois países: "a grandes diferença que senti à partida foi o facto de ser um povo bem mais fechado em relação ao português. Não convivem muito entre eles como estamos habituados a ver por cá. A outra grande diferença é o tempo, muitos dias cinzentos com vento e alguma chuva, mesmo no verão, o que faz ter muitas saudades do sol e das temperaturas altas."

Ainda mais do que pelos fatores anteriormente mencionados, Beatriz viu a adaptação à nova realidade ser-lhe dificultada pelo sotaque britânico: "É mais complicado de entender do que o inglês americano que estamos habituados a ouvir nos filmes!"

Porém, a presença do namorado e da comunidade portuguesa local ajudaram-na a mitigar essas barreiras. "À parte disso, a adaptação foi bem mais fácil do que eu pensava. Apesar de estar a viver e a trabalhar com o meu namorado, que é sempre uma grande ajuda, também existem mais portugueses a trabalhar connosco. Sempre que possível, convivemos e relembramos a nossa cultura, o que ameniza um pouco a saudade."

Gradualmente, a adaptação positiva da baionense fê-la ver com bons olhos o país de acolhimento. "Estou a gostar muito da experiência de poder ver no dia-a-dia como a cultura inglesa é tão diferente da nossa! Sempre gostei de experimentar coisas novas e esta oportunidade trouxe-me isso em diversos aspetos: uma nova gastronomia, um trabalho fora da minha zona de conforto e hábitos bem distintos daqueles a que estava habituada", enumerou.

Porém, por muito positiva que seja a adaptação a um novo país, há alturas em que as saudades de casa surgem inevitavelmente. No caso de Beatriz, "as saudades sentem-se mais nas épocas festivas, nos aniversários da família e amigos e sobretudo no Natal. Quando todos se reúnem e só posso estar presente por chamadas de vídeo", lamentou.

Antes do surgimento da COVID-19, a jovem ia mitigando esse afastamento com visitas frequentes a Baião. Contudo, a pandemia, que tanto tem tirado a tanta gente, tirou também à jovem essa possibilidade. "Desde que emigrei em 2019, apenas consegui vir de férias em janeiro de 2020 e depois disso, com a pandemia, as coisas complicaram-se. Os voos para as férias de verão foram cancelados e desde aí, sempre que remarcava, o mesmo acontecia... só voltei depois de um ano e meio, agora que os números de casos diários de COVID-19 baixaram e voltaram a abrir as fronteiras entre Reino Unido e Portugal."

Num ano digamos normal, teria vindo mais vezes, pelo menos uma vez no verão e outra no inverno.

Para terminar a entrevista, questionamos Beatriz acerca da possibilidade de voltar definitivamente a Portugal. A resposta promete deixar família e amigos com expectativas elevadas: "Conto regressar em breve, se a situação pandémica também amenizar, para poder investir num projeto pessoal."