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Francisca Martins quer "preservar as tradições e a cultura popular" sem esquecer a escola

Ana Magalhães

30-05-2021

Veja o testemunho da jovem Francisca Martins, dos Toka&Dança, que contou como é conciliar as duas áreas da sua vida.

“Quando for grande quero ser cantor/a!”. Esta é uma frase que, habitualmente, ouvimos da boca de muitas crianças quando se lhe é feita a pergunta “O que queres ser quando fores grande?”. É uma resposta que Francisca Martins, natural de Sobretâmega, do concelho de Marco de Canaveses, também dava. Porém, no caso dela, acabou por se concretizar e não teve de esperar “até ser grande”.

Tinha apenas oito anos quando, em conjunto com o irmão Rafael Monteiro, iniciou o projeto “Concertinas do Tâmega”, que, anos mais tarde, se tornaria no "Toka&Dança".

Hoje, com 16 anos, percorre o país com o objetivo de “dar a conhecer a música popular portuguesa”, que admite ser uma das suas paixões. “Gosto de tudo o que é tradicional. Gosto do fado porque é mais intimista, é um género de música em que entramos em contacto com os sentimentos do público. E também gosto do tradicional, porque é mais animado, conseguimos alegrar o público”, disse.

O facto de cantar com o irmão é “uma mais-valia. Estamos os dois muito à vontade. Nos concertos, temos uma química e energia muito nossa e especial, que acredito que torna o nosso espetáculo único”.

Atualmente, a jovem tem de conciliar a vida de artista com o seu percurso na escola, o que afirma que, por vezes, não é fácil. “Quando andava no ensino básico, era mais fácil do que agora, que estou no secundário, mas sempre foi difícil. Falto muitas vezes e querer ser boa nas duas coisas, por vezes, é complicado. Mas dou sempre o meu melhor”, garantiu.

No entanto, Francisca Martins não baixa os braços e defende que “tudo tem a ver com a gestão. Claro que tenho de dedicar muito tempo ao projeto, mas não posso deixar a escola de lado. No entanto, isto nunca me tirou a parte de estar com os amigos e de me divertir, porque é muito relativo. Eu gosto do que faço e divirto-me muito em cima do palco”, constatou.

Com o projeto "Toka&Dança", houve também, junto dos mais novos, um maior interesse pela concertina e pela música popular portuguesa. “Gosto de pensar que tivemos influência, porque o nosso objetivo sempre foi trazer cada vez mais jovens para este tipo de música. Sempre foi nossa pretensão fazer com que a juventude gostasse dos viras e dos malhões, dando-lhe uma sonoridade diferente, mais atual”, mencionou, acrescentando que era comum ouvir-se que “tudo o que era cantado em português era pimba, mas não é assim. Hoje, já se ouve as pessoas a falar de forma diferente”.

A jovem acredita que, hoje em dia, há uma maior aceitação por parte dos jovens no que respeita a este tipo de música. “Antigamente era pior... quem tocava concertina era visto como uma pessoa parola, havia um pouco de preconceito. Hoje já há uma maior aceitação e reconhecimento. Na escola sou como qualquer outro aluno, mas sinto que me valorizam pelo meu trabalho”, contou.

A todos os jovens que, tal como ela, querem seguir carreia na música, Francisca Martins deixa o conselho: “não desistam! Na música, conseguimos sempre fazer alguém sorrir, conseguimos mudar o sentimento e o estado de espírito das pessoas e acho que os jovens devem interessar-se mais por este tipo de música, para haver seguimento e a preservação da cultura e das tradições”.