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Madalena Saraiva tentava engravidar e descobriu um cancro na mama: “Foi um sinal para abrandar”

Ana Magalhães

28-05-2021

No Dia Internacional da Saúde Feminina, que se comemora esta sexta-feira, dia 28 de maio, o Jornal A VERDADE traz-lhe o testemunho de Madalena Saraiva. Conheça a sua história.

“Ser mãe”. É esta a resposta dada por muitas mulheres quando a questão é “qual o seu maior sonho?”. E era esta a resposta que Madalena Saraiva, natural de Sobretâmega, mas a viver em Paredes de Viadores e Manhuncelos, dava até há cinco anos.

Mas a vida pregou-lhe uma rasteira. Quando decidiu ser mãe, deparou-se com o problema de não conseguir engravidar e então decidiu iniciar os tratamentos de fertilidade. E foi exatamente nesta altura, e na sequência dos tratamentos, que descobriu um cancro da mama.

Em entrevista ao Jornal A VERDADE, para assinalar o Dia Internacional da Saúde Feminina, que se comemora esta sexta-feira, dia 28 de maio, a marcoense contou todo esse trajeto, desde o momento que descobriu a doença, até aos dias de hoje.

Em 2016, depois de fazer um estímulo ovular, os médicos diagnosticaram-lhe o cancro na mama. “Estava a fazer umas infeções na barriga e isso adiantou um pouco a doença. Na apalpação mamária encontrei um caroço e rapidamente fui submetida a exames, os quais levaram ao diagnóstico final”, afirmou.

Esta descoberta, aliada ao facto de ter dificuldades em engravidar, levou os médicos a aconselharem Madalena Saraiva a preservar os seus óvulos. “Decidimos fazer a preservação e hoje, passado cinco anos, ainda não sabemos o que vamos fazer. Como o tumor que tinha era hormonal e a gravidez mexe com muitas hormonas, ainda não sabemos o que vamos fazer. É uma possibilidade única, porque só tenho um embrião, mas se os médicos me aconselharem a não engravidar, é o que vou fazer. Se isso acontecer, acabarei por doar o embrião”, disse.

A marcoense garante que “ser mãe” é um “sonho antigo”. Contudo, quando descobriu a doença, acabou por colocar de parte. “No início custou-me muito aceitar, mas sabia que, se decidisse arriscar, poderia não estar cá para cuidar do meu filho. Tive de me colocar à frente de tudo e não me arrependo dessa decisão. Fiz tudo o que podia para conseguir, agora só eles é que me podem indicar nesse sentido. Se me disser que corro muitos riscos, não o vou fazer”, sublinhou.

Tratamentos “foram muito difíceis” e o marido foi “um apoio incondicional”

Após descobrir o tumor na mama, Madalena Saraiva teve de ser submetida a tratamentos de quimioterapia e radioterapia, bem como à mastectomia completa, seguida da reconstrução mamária. Em todo este processo, o marido foi, “sem dúvida, o maior pilar”.

“Queria proteger os meus pais, o meu irmão e as pessoas mais próximas. Nunca mostrava fragilidade, nos dias a seguir ao tratamento era muito difícil e era só eu e o meu marido, não deixava que ninguém me visse naquele estado”, recordou.

Madalena Saraiva, quando começou a ver o cabelo cair devido aos tratamentos, decidiu não usar peruca, por “não gostar”. Em contrapartida, e seguindo o seu amor pela costura, decidiu fazer lenços personalizados que foram doados ao Hospital de São João, onde fez o tratamento.

Contudo, esses tempos “já passaram” e garante que esta situação foi “um sinal para abrandar. Estava num ritmo muito acelerado, aprendi a caminhar novamente… percebi que, antes, não sabia apreciar as coisas mais simples, como apreciar o vento que batia na cara. Deu-me a possibilidade de abrandar e olhar para dentro acabou por me ajudar a pensar melhor e relativizar um pouco as coisas não tão importantes”, concluiu.