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Paredes: Peregrinos aguardam há dois anos para "calçar as sapatilhas" e irem até Fátima a pé

Ana Magalhães

09-05-2021

A Obra do Bem Fazer, de Paredes, leva, anualmente, cerca de 500 peregrinos até Fátima a pé.

Em condições ditas normais, milhares de peregrinos estariam, por estes dias, a caminho de Fátima. Oriundos de todos os pontos do país e também do estrangeiro, os peregrinos, de mochilas às costas e sapatilhas nos pés, desbravam caminhos com o objetivo final: chegarem ao Santuário de Fátima até ao dia 13 de maio.

Contudo, este ano, à semelhança do ano anterior, esta peregrinação não se vai realizar, pelo menos não como habitualmente, devido à pandemia da COVID-19. E na Obra do Bem Fazer, no concelho de Paredes, há peregrinos a aguardarem há dois anos.

Quem o diz é Luís Durães D’Almeida, tesoureiro da associação. “Temos pessoas que fizeram a inscrição no ano passado e que disseram que ficava para quando fosse possível fazer-se a peregrinação. Vêm peregrinos de muitos concelhos, inclusivamente emigrantes”, explicou. Serão, então, estas as pessoas a terem prioridade quando for possível fazer-se a peregrinação. “Teremos de dar prioridade às pessoas que nos ajudaram”, destacou.

O representante da associação afirmou que “faz falta” a peregrinação. “Há pessoas a ligar para cá, a perguntar quando será possível. Dependendo da quantidade que possamos levar no próximo ano, acho que será complicado”, anteviu.

Todos os anos, são quase 500 pessoas que rumam a Fátima com a Obra do Bem Fazer, para além de todos aqueles que estão envolvidos na organização. “Acho que para o ano só será possível levarmos metade das pessoas. Ainda não sabemos como vamos fazer, mas a hipótese de levar duas vezes a peregrinação está em cima da mesa”, disse.

Até para nós é um pouco confuso, chegar a esta altura e não poder ir...

O grupo, que assinalou o 29.º aniversário no passado dia 4 de maio, espera que as peregrinações regressem, até porque “se não acontecer, não sabemos como vai ser. Era uma forma de angariar fundos”, disse.

Luís Durães D’Almeida deixa ainda uma mensagem a todos os peregrinos: “Têm de ter calma e esperança. Ligam todos os dias. Tem de haver fé e temos de aguentar!”