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“Sou voluntária devido à paixão pelos animais e pela vontade de conseguir famílias para todos eles”

José Rocha

08-05-2021

“É uma experiência única testemunhar uma adoção”, confessa Ana Paula Casaca, enfermeira veterinária no recém-inaugurado Centro de Recolha Oficial de Animais de Castelo de Paiva e Cinfães.

Desde o início de abril deste ano que os concelhos de Castelo de Paiva e Cinfães dispõem de um centro de recolha de animais. O serviço intermunicipal está sediado na zona da Póvoa, em Pedorido, em território paivense.

Para além do espaço destinado a animais, a infraestrutura está também dotada de várias salas com diferentes finalidades, entre as quais os gabinetes veterinários. Caso visite este Centro de Recolha Oficial de Animais (CROA) Intermunicipal, será provavelmente nesses gabinetes que dará de caras com Ana Paula Casaca, enfermeira veterinária que ali presta serviço desde a sua inauguração.

Aos 22 anos, viu nascer o CROA na mesma localidade onde habita e não hesitou na hora de se inscrever como voluntária. “Inscrevi-me pela paixão pelos animais e a vontade de conseguir famílias para todos eles”, começa por revelar.

Entre as tarefas habitualmente realizadas pela paivense e restante equipa, para além da limpeza das jaulas e colocação de alimento e água para os animais, contam-se também os passeios pelas instalações. “Damos também auxílio à parte da vacinação, colocação do microchip e desparasitação e gerimos a página do facebook do CROA, enumera.

Porém, de forma a tentar arranjar uma nova família a estes amigos de quatro patas, há mais trabalho a fazer: “Ao passear com eles, aproveitamos para tirar algumas fotografias e fazer alguns vídeos para posteriormente promover as suas adoções. Também marcamos algumas visitas para as pessoas que pretendam adotar algum animal”, diz.

No que concerne a serviços prestados no CROA, Ana Paula faz questão de destacar a importância da reabilitação. “Torna-se muito importante fazer este tipo de serviços, porque nem todos os animais vêm prontos para ser adotados. Muitas vezes sofreram maus tratos e ficam de tal forma traumatizados que é extremamente complicado torná-los novamente sociáveis… pode levar semanas ou até meses até que o animal se sinta confortável no novo ambiente.”

É importante que as pessoas percebam que os animais não nascem agressivos e que o tutor tem uma enorme responsabilidade quanto a isso!

Embora crie uma ligação com cada cão e gato com que interage no CROA, a jovem quer, acima de tudo, encontrar-lhes um novo lar. Com esse propósito em vista, deixa um apelo à doação, mas com sentido de responsabilidade presente: “Quero sensibilizar as pessoas a fazerem adoções responsáveis. Estes animais precisam de uma casa e de uma família que cuide deles. São melhores amigos que ganhamos para toda a vida!”

Esse mesmo sentido de responsabilidade é de igual modo necessário aquando da decisão de se tornar voluntário. “É importante que o voluntário tenha noção do que é um centro de recolha oficial, porque muitas vezes sentimos pena dos animais que chegam até nós e é preciso ter um pouco de noção de como é que devemos trabalhar com eles. É necessário ter calma e gostar muito do que se faz”, ressalva.

Ainda assim, Ana Paula não deixa também de apelar a que mais pessoas se tornem voluntárias: “Aconselho o voluntariado, porque é uma experiência única e traz uma enorme felicidade, principalmente quando temos o gosto de testemunhar uma adoção!”