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Jovem de Marco de Canaveses concretizou um sonho no Rali Terras d'Aboboreira

José Rocha

06-05-2021

Bia Pinto confessa ter vivido "dois momentos verdadeiramente inexplicáveis dentro de um carro de ralis". Leia a entrevista alargada à copiloto de Bem Viver.

O dia 1 de maio de 2021 promete ficar marcado na memória de Beatriz Pinto. Em estreia absoluta no Rali Terras D’Aboboreira, como copiloto do amarantino Vítor Pinheiro, a jovem natural de Bem Viver, concelho de Marco de Canaveses, triunfou em dose dupla, com as conquistas do Desafio Kumho Portugal (Divisão 2) e do grupo X1-8.

Em exclusivo ao Jornal A VERDADE, Bia Pinto relatou a experiência vivida no Nissan Micra pelos trilhos de Amarante, Baião e Marco de Canaveses.

- Qual o balanço da participação no rali?

Foi o concretizar de um sonho, tanto para mim como para o Vítor (Pinheiro)! Eu cresci verdadeiramente apaixonada por motores e por corridas, primeiro de radiomodelismo e depois por ralis.

É uma paixão e uma forma de viver que nem sempre é bem compreendida para as mulheres e raparigas. Fazer o meu primeiro rali de terra e logo a prova da minha região, ao lado das equipas do Campeonato de Portugal, incluindo alguns pilotos estrangeiros que fazem o Mundial, foi verdadeiramente um momento de felicidade e realização!

Depois, o resultado desportivo... que superou muito as minhas expectativas! O Vítor (Pinheiro) fazia a sua estreia absoluta em ralis e ele é um jovem apaixonado por este desporto e que sempre alimentou o sonho de ser piloto. Fez um grande esforço para poder participar neste rali, que também é o rali da sua terra, Amarante.

Apesar de pouco experiente, o Vítor entrou nesta aventura com a mentalidade certa, tentou absorver o máximo de conhecimento sobre o que é um rali, conseguimos encontrar um sistema de notas que fez sentido para ele, conseguiu perceber a forma de gerir a mecânica do carro para chegarmos ao final num rali duríssimo... Ele e toda a equipa da MSD estão de parabéns! Foi uma prova de superação, mas com um resultado final muito positivo.

- Qual foi o momento mais difícil/desafiante?

O principal desafio foi "sobreviver" à dureza dos troços, que estavam completamente degradados pela passagem dos carros de quatro rodas motrizes, que naturalmente deixam muita pedra na estrada e que criam "regos" enormes! Nos reconhecimentos percebemos logo que isso iria acontecer, mas depois constatar isso in loco em ritmo de competição... foi muito difícil.

Tivemos de ser inteligentes para andar rápido, mas sem comprometer a mecânica do carro em mais de 50 quilómetros de troços de terra completamente destruídos. A determinada altura, a porta traseira da mala abriu-se em pleno troço e eu tive de dizer ao Vítor para continuar, para não se desconcentrar. Alguns amigos brincaram connosco ao verem o Nissan Micra a passar de mala aberta, mas felizmente correu tudo bem e conseguimos chegar ao final!

- E o momento de que gostou mais?

Há dois momentos verdadeiramente inexplicáveis dentro de um carro de ralis. Um deles é o momento imediatamente antes da partida para o primeiro troço, aquela contagem decrescente de cinco segundos antes de arrancarmos para a primeira especial. É como se o mundo ficasse em suspenso naqueles segundos e só ouvimos o bater do coração! O Vítor, que estava a fazer o primeiro rali, comentou isso mesmo comigo.

Depois, o momento talvez mais especial é aquele que acontece imediatamente após acabarmos o último troço. Há uma descarga de adrenalina incrível, inexplicável... todo o trabalho, todo o esforço, toda a concentração, toda a intensidade que colocámos antes e durante a prova "explodem" numa emoção muito difícil de explicar para quem nunca fez um rali.

A maioria das pessoas não imagina o trabalho que é feito antes sequer do rali começar, o planeamento, as noites passadas a rever as notas, as horas passadas com a equipa, a preparar o carro, a decorar o carro, a tratar da parte mais burocrática da prova... tudo isto sem sermos profissionais dos ralis, ou seja, tudo isto feito depois das nossas vidas profissionais, muitas vezes até altas horas da madrugada, com pouquíssimas horas de sono. E depois poder chegar ao final de um rali tão duro e logo com um resultado destes... é um momento muito especial.

- É uma experiência para repetir?

Espero que sim! Vamos ver que oportunidades surgem.

- Quais serão as próximas provas?

Ainda não tenho qualquer outro rali confirmado para este ano. Vamos ver que oportunidades o futuro nos trará...