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Baião: Trineto de Eça de Queiroz convida a "festejar a diversidade da língua portuguesa"

José Rocha

05-05-2021

No Dia Mundial da Língua Portuguesa, o administrador da Fundação Eça de Queiroz - também ele escritor - concedeu uma entrevista ao Jornal A VERDADE.

O Dia Mundial da Língua Portuguesa é celebrado a 5 de maio. A efeméride foi criada como Dia da Língua Portuguesa e da Cultura pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa a 20 de julho de 2009, por resolução da XIV Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da CPLP.

De modo a assinalar a data, O Jornal A VERDADE esteve à conversa com Afonso Reis Cabral, trineto de Eça de Queiroz e administrador da Fundação Eça de Queiroz, localizada em Santa Cruz do Douro, concelho de Baião.

Com 31 anos, Afonso é, à semelhança do trisavô, escritor, tendo arrecadado vários prémios a nível nacional. Também à semelhança do ascendente, tem uma forte ligação a Baião, apesar de ter nascido em Lisboa.

Convidado a pronunciar-se sobre a importância da data assinalada esta quarta-feira, Afonso Reis Cabral confessa encará-la “como uma oportunidade de festejar a língua portuguesa e a sua diversidade, porque junta todos os países falantes da língua - e isso é uma alegria”. O escritor acredita que “o próprio dia está a construir-se” e que pode contribuir para atingir um objetivo maior: “fazer da língua portuguesa uma língua oficial da ONU”.

É justo dizer que, desde a época de Eça de Queiroz, a língua portuguesa tem vindo gradualmente a sofrer mudanças, em particular pelo crescente fenómeno da globalização. O descendente do ícone da cultura portuguesa assume não ter “ilusões de que, à escala global, a língua portuguesa que se fala mais é a do Brasil. E isso é perfeitamente legítimo, por mais que não seja pelo número de falantes”, refere.

Acérrimo defensor da diversidade da língua portuguesa, Afonso confessa discordar do novo acordo ortográfico, o qual passou a ser obrigatório em Portugal a partir de 2016. “Vejo com muito estranhamento fenómenos como o novo acordo ortográfico. Não veio resolver nada, porque não havia nada para resolver. Foi um achincalhamento da língua portuguesa na sua versão escrita e que só trouxe mais confusões vocabulares”, opinou.

O escritor vai mais longe ao afirmar que “não é por aí que se concede a importância da língua portuguesa, mas sim reconhecendo que, tal como outras línguas, é extremamente diversa, espontânea e enriquecedoramente pujante”. Por isso mesmo, considera que este Dia Mundial da Língua Portuguesa “serve para festejarmos essa diversidade e as verdadeiras extensões da língua”.

O contexto epidemiológico impede que a Fundação Eça de Queiroz assinale a data condignamente. “Mas fazemos sempre questão de assinalar, quanto mais não seja nas redes sociais e realçando a figura de Eça de Queiroz, uma das figuras cimeiras da língua portuguesa a nível mundial”, afirmou orgulhoso.

O administrador assume que, neste momento, a fundação está “em retoma”, retoma essa que se quer o mais normal possível. “Estamos a assegurar que o regresso à normalidade seja isso mesmo, com o restaurante aberto e as visitas asseguradas, com todas as condições de segurança e as atividades ligadas às próprias visitas”, explicou.

Em fase de retoma estão também "vários projetos, como a Escola de Verão, a Oficina de Tradução e outros. Aos poucos, conforme seja possível, retomamos e voltamos para a normalidade. Não queremos o novo normal, só o normal", finalizou Afonso Reis Cabral.