Conta Coisas

“Nasci para gostar de ser bombeiro!”

José Rocha

04-05-2021

No Dia Internacional do Bombeiro, conheça a história de José Sousa, o elemento mais antigo da corporação de Bombeiros Voluntários de Lordelo.

Foto: BV Lordelo

O Dia Internacional do Bombeiro assinala-se anualmente a 4 de maio, desde 1999. A data foi estabelecida após uma intensa circulação de emails pelo mundo gerada pela trágica morte de cinco bombeiros num incêndio na Austrália. De forma a assinalar a efeméride, o Jornal A VERDADE foi até ao concelho de Paredes, mais concretamente à freguesia de Lordelo, para conhecer a história de José Sousa, o mais antigo elemento dos Bombeiros Voluntários de Lordelo.

Aos 59 anos, o lordelense é bombeiro há 40, “mais mês, menos mês”. Em entrevista à rubrica “Conta Coisas”, revela que ingressou na corporação “quando era miudito”, de forma gradual. “Entrei primeiro na fanfarra, que já existia há mais tempo. Depois, fiz parte da equipa de futebol dos bombeiros e acabei por me inscrever. Já cá ando há uns anos valentes - já lhes perdi a conta”, recorda bem-disposto, ele que vem "de uma família de bombeiros" enraizada em Lordelo.

José Sousa confessa que o desejo de ser soldado da paz lhe era praticamente nato. “Na verdade, já tinha alguma vontade de ser bombeiro e acho que já nasci para gostar de fazê-lo. Naquele tempo, havia mais gosto em torno do ser-se bombeiro”, considera.

E rapidamente o lordelense adotou a mentalidade dos companheiros como sua: “depois de entrarmos numa corporação como esta, ganhamos muita amizade e amor à camisola. Damos a nossa vida, se for preciso, em prol dos outros! Para quem gosta da função de bombeiro, é difícil explicar o sentimento.”

Essa prontidão em sair para o desconhecido ao ouvir tocar a sirene sempre foi encarada pelo operário fabril com determinação, mesmo que por vezes tenha sido preciso ‘fazer das tripas coração’. “Quando saía de casa para o serviço, sabia que íamos encontrar dificuldades em certas coisas. Tínhamos sempre o coração apertado, pois não sabíamos o que iríamos encontrar, mas não podemos pensar muito nisso! Temos de nos fardar como deve ser e ir preparados para o que der e vier”, atirou resoluto.

No seu entender, a função de bombeiro tem vindo a tornar-se gradualmente facilitada ao longo dos tempos, sobretudo pela evolução positiva das condições de segurança. “Nestes anos valentes, tivemos grandes incêndios. Agora continuam a ser muito complicados, mas não é como antigamente… por exemplo, as condições de hoje em dia, ao nível das fábricas, são muito melhores! Naquele tempo, entrávamos numa fábrica de móveis e era só fitas, barreiras por todo o lado… tínhamos muito mais dificuldades naquele tempo do que de agora, não tem nada a ver”, comparou.

Outra das mudanças que José Sousa tem vindo a constatar ao longo de décadas de serviço é a forma como a população - particularmente a mais jovem - olha para os bombeiros, o que o leva a deixar um apelo final: “Hoje em dia já não é como naquele tempo, em que toda a gente gostava dos bombeiros… portanto, a mensagem que deixo é que hajam mais bombeiros voluntários, porque nós damos tudo!”

Nós é que safamos o mundo e, para mim, os bombeiros voluntários são tudo!