Conta Coisas

Jovem de Cinfães quer ser "feliz e saudável rodeado de boa música"

José Rocha

26-04-2021

João Lourenço é membro da Banda Marcial de Nespereira e conquistou recentemente o Concurso Nacional de Interpretação Contemporânea.

É natural de Cinfães. tem, 22 anos e inscreveu recentemente o seu nome na lista de vencedores do Concurso Nacional de Interpretação Contemporânea. Se tem estado atento ao Jornal A VERDADE, decerto que já terá depreendido quem é o convidado de hoje da rubrica "Conta Coisas". Se o seu palpite é João Lourenço, parabéns!

No seguimento da conquista, sobre a qual pode saber mais detalhes aqui, estivemos à conversa com o jovem cinfanense para conhecer um pouco do seu trabalho, motivações e projetos futuros. Sempre em tom bem-disposto, João revelou-nos, inclusivamente, aquele que é para si o maior sonho enquanto músico. Não perca pitada da entrevista!

- Estás ligado à área da interpretação, composição ou ambas?

A minha ligação vai de encontro à interpretação de repertório já existente e também à criação de nova música, que já por si só tem uma envolvência com a composição. Ao longo do meu percurso tive oportunidade de participar ativamente no processo de criação de música, mas apenas como um elemento para definir conceitos e instrumentação das obras.

- Como surgiu ligação à música?

Desde muito novo ouvi Rock e sonhava ser baterista, por esse motivo substituía a bateria por materiais que tinha em casa, como panelas, almofadas e tudo o que o que achasse que pudesse contribuir para construção de uma bateria. Ao longo do tempo, a minha perspectiva sobre a música alterou-se e hoje em dia interesso-me mais pela música erudita.

- Conta-nos um pouco do teu percurso.

Bom, inicialmente ingressei na Artâmega, academia das artes do Marco de Canaveses, escola onde realizei um ano de aprendizagem da percussão, incidindo os meus estudos na marimba, vibrafone, entre outros instrumentos mais convencionais da percussão.
Seguidamente, realizei um curso profissional de música que me deu acesso ao ensino superior.

Atualmente, estudo música na Universidade do Minho e na Escuela Superior de Música de Extremadura.
No que a Cinfães diz respeito, poderei afirmar que pertenço à Banda Marcial de Nespereira, no concelho de Cinfães.
Para além disso, pertenço ao coletivo variável CLAMAT - Centro para a pesquisa, difusão e desenvolvimento da percussão e dou aulas no mesmo espaço.

Foto: Município de Cinfães

- O que mais te cativa acerca dela?

A música que estudo tem muita história, sobretudo se pensarmos nos inícios, no renascimento até aos dias de hoje, essa evolução histórica da música é algo que me desperta muito interesse, mas devo dizer que gosto particularmente da contemporaneidade, ou seja, principalmente de explorar o que a música moderna concede, aprecio bastante os sons organizados e não organizados, tal como o designa John Cage.
Para além disso, excita-me muito o facto de poder fazer música com materiais não considerados instrumentos pela maioria da população, e também toda a complexidade do processo composicional por de trás deste tipo de música é algo muito enriquecedor neste mundo etéreo de sons.

- Principais referências

Aprecio muita gente, sobretudo pela forma de pensar a vida e a música. Poderei realçar o meu atual professor de percussão, o músico Nuno Aroso, que é um grande intérprete e tem um papel preponderante não só na contemporaneidade da escrita de música para percussão, mas também no panorama artístico, em geral. Para além disso, existem outras pessoas que me servem de referência pelos mesmos motivos, tais como, os compositores: João Pedro Oliveira, Luís Antunes Pena, Pedro Junqueira Maia, Álvaro Salazar, Morton Feldman, Samuel Peruzzolo, entre outros…

- Como te sentiste por vencer o Concurso Nacional de Interpretação Contemporânea?

A sensação de vencer um concurso é sempre boa, trás-nos o entusiasmo de que o nosso trabalho é recompensado e o facto de acontecer nesta altura pandémica que se atravessa, acresce mais a vontade de continuar a criar e a evocar a arte, que tem sido muito afetada nestes tempos.

Consequentemente, há que felicitar o Síntese - Grupo de música contemporânea da Guarda, pelo seu trabalho em prol da música contemporânea portuguesa e pela organização de mais uma edição deste concurso que promove a música contemporânea nos jovens intérpretes.

Foto: Bruno Simão

- Há alguns projetos futuros que queiras mencionar?

Sim, poderei mencionar alguns projetos. Terei uma estreia de uma ópera do compositor Eduardo Luís Patriarca, para cinco vozes e dois percussionistas, na Tailândia, no ano de 2022, para além disso terei a gravação de um disco monográfico das obras para percussão de João Pedro Oliveira, pelo CLAMAT- Coletivo variável, a acontecer em Julho deste ano, na Casa da Música, entre outros projetos num futuro próximo, e se a pandemia o permitir.

- Qual o teu maior sonho profissional?

Eu diria que o meu maior sonho é ser feliz e saudável, se possível rodeado de boa música e sempre em busca do conhecimento, porque afinal de contas há muita coisa para observar e absorver!