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Diretora do Agrupamento de Escolas de Felgueiras: "O ensino à distância não funciona"

José Rocha

07-02-2021

"Até pode funcionar com os alunos mais velhos, mas com os mais novos não", considera Anabela Leal.

A partir desta segunda-feira, dia 8 de fevereiro, as escolas de Portugal voltam a entrar no modo de ensino à distância, decretado pelo Governo face à atual situação epidemiológica vivida no país, devido à COVID-19.

Embora a considere “um mal menor” no atual contexto, Anabela Leal, diretora do Agrupamento de Escolas de Felgueiras, não ficou agradada com a medida, já que sempre foi “uma acérrima defensora do ensino presencial. Em março teve de ser, mas em maio, quando as primeiras turmas regressaram às escolas, bati-me pelo ensino presencial”, recordou.

Na opinião da dirigente, “nada substitui o ensino presencial” e sempre acreditou que “as escolas têm capacidade de se organizarem de forma a que os alunos estejam em segurança. Até porque não sabíamos por quanto tempo teríamos de o prolongar, como se vê agora”, refere.

Aquando da preparação do presente ano letivo, relembra que “houve quem defendesse o ensino misto”, onde somente alguns alunos se deslocariam à escola. Contudo, Anabela Leal opôs-se de forma veemente. “Sempre defendi o ensino presencial e acho que o ensino à distância não funciona. Até pode funcionar em idades mais avançadas, mas quanto mais novos os alunos são, mais difícil é acompanharem as aulas”, referiu.

Para além disso, falta-lhes a parte afetiva, a componente emocional, os relacionamentos, a noção de horários, ...

Embora ressalve não ser uma crítica da introdução das novas tecnologias no ensino, a diretora reforça que “é diferente ter aulas em casa”, mesmo que, neste contexto, o considere “um mal menor. Vão realizando algumas atividades, contrariando o isolamento e mantendo alguma socialização. Portanto, embora ache que seja prejudicial, compreendo que seja um mal menor”.

Foto: João Morgado

Anabela Leal olha para uma futura retoma de forma reticente: “um dia vai acontecer, mas não sabemos quando”. Embora a hipótese desse regresso acontecer no segundo período lhe pareça “difícil”, guarda melhores expetativas em relação ao terceiro. “Aí, a minha opinião é otimista e estou confiante que será possível regressar a algum tipo de ensino presencial. Mesmo que não seja para todos os alunos, à semelhança do que aconteceu no final do ano passado”, acrescentou.

Nessa altura, voltaram às escolas os estudantes dos 11.º e 12º anos. Para a diretora, caso o ensino volte a ser misto, deveria, desta vez, ser dada prioridade aos mais novos, em particular do pré-escolar e 1.º ciclo. “São os que estão mais prejudicados na aprendizagem”, garante, para terminar.