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Bombeiros de Vila Meã viveram "um ano muito complicado" a servir Amarante

José Rocha

04-01-2021

O comandante Carvalho Ferreira confessa que o "raio da pandemia" tem trazido à corporação "muitos problemas e preocupações".

Como é sabido, apesar de a pandemia da COVID-19 não ter deixado incólume nenhum aspeto da sociedade, são os profissionais de saúde, segurança e proteção civil quem está, desde março, no seu 'epicentro'. Ao prestar auxílio àqueles que mais necessitam, são estas classes quem combate de forma mais ativa e direta os efeitos do novo coronavírus, que fez de 2020 um ano com características muito peculiares, pela negativa.

Por isso mesmo, também para os Bombeiros Voluntários de Vila Meã este foi "um ano muito complicado". Quem o assume é Carvalho Ferreira, comandante da corporação sediada na vila de Vila Meã, no concelho de Amarante. O homem nascido há 59 anos na freguesia de Banho e Carvalhosa (Marco de Canaveses), mas residente em terras vilameanenses há mais de três décadas, confessa que, desde o seu surgimento, o "raio da pandemia" tem trazido à corporação "muitos problemas e preocupações".

Em particular, o marcoense que dirige a corporação vilameanense há cinco anos recorda a necessidade de formar equipas de oito bombeiros, que trocavam de turno a cada oito dias como forma de evitar o contágio pelo novo coronavírus. Essas equipas eram "compostas maioritariamente por profissionais", o que, a par da aquisição de equipamentos de proteção individual, representou "um encargo muito grande".

Porém, o plano traçado pela chefia tem trazido sucesso: "Na dúvida, um bombeiro usa sempre equipamento de proteção individual na ambulância e, graças a Deus, temos tido raríssimos casos. No quartel, penso que não foi contaminado ninguém e julgo que isso tem a ver com os cuidados que temos tido. A descontaminação é feita sempre que as ambulâncias são utilizadas, somos ainda mais rigorosos na limpeza das camaratas e, na época de incêndios, conseguimos que a câmara apoiasse com dois contentores para separar os bombeiros de combate a incêndios dos outros profissionais", relatou.

Um dos principais lamentos de Carvalho Ferreira prende-se pela impossibilidade de celebrar condignamente o aniversário da corporação, bem como outros eventos, como a ceia de Natal ou o passeio de motorizadas. "Tanto queríamos fazer... a pandemia tem causado muitos constrangimentos e espero que passem rapidamente. É um ano não para esquecer, mas para meditar - e que passe depressa", desejou.

Outro desejo manifestado pelo comandante dos Bombeiros Voluntários de Vila Meã é que "2021 seja claramente melhor". E especifica: "Temos o nosso campo de treinos para darmos instrução e vamos tentar prepará-lo. Queremos também, apesar da data oficial ser dia 16, festejar a 18 de abril o nosso 40.ª aniversário. Vamos ver se a pandemia nos deixa", atirou, para finalizar.