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Co-piloto de Marco de Canaveses: “Uma mulher tem de trabalhar 200 por cento para mostrar 100”

José Rocha

26-09-2020

"Temos de trabalhar sempre mais para atingir outros patamares, porque o homem já é dado adquirido que é capaz", lamenta Beatriz Pinto.

Chama-se Beatriz Pinto, tem 27 anos e, apesar de ser promotora, alimenta o sonho de fazer do hobby como navegadora a sua atividade profissional. A jovem nascida na freguesia de Bem Viver, no concelho de Marco de Canaveses, pertence à equipa RTS Rali Team há dois anos, sendo atualmente a co-piloto de Pedro Santos.

A primeira experiência a cantar notas no lugar de passageiro aconteceu há cinco anos, no Rali de Alpendorada, então ao lado de Rui Fonseca. O piloto marcoense foi um dos principais impulsionadores da carreira de Beatriz, como explica a jovem ao Jornal A VERDADE. “Tinha de começar por algum lado porque não tinha bases nenhumas. Tirei cursos com pilotos e navegadores profissionais. Depois foi aproveitar as oportunidades - e foi o Rui Fonseca que ma deu. Ele soube que eu tinha tirado os cursos, precisava de um navegador e então convidou-me”, recordou.

A prova disputada “em casa correu bem” e, desde então, Bia sente que já evoluiu “muito”, embora “só os pilotos” com quem já correu o “possam avaliar”. Apesar dessa experiência acumulada, assume que “ainda há muito mais a fazer e aprender”, até porque os olhos da jovem estão colocados numa meta bem ambiciosa: “Chegar ao WRC. É um sonho irrealista, mas não deixa de ser um sonho!”

O mundo do desporto motorizado é, muitas vezes, associado mais ao sexo masculino no que a praticantes diz respeito, seja ao volante ou no banco do lado. É verdade que esse panorama tem vindo a alterar-se com o passar do tempo. Porém, para Bia, não sobram dúvidas de que a mulher e o homem “são totalmente vistos de forma diferente” na modalidade.

“Ainda vivemos num país muito retrógrado. Já se vêem muito mais mulheres, mas é complicado para quem queira subir na carreira e estar aqui. Temos de trabalhar sempre mais para atingir outros patamares, porque o homem já é dado adquirido que é capaz. A mulher tem de trabalhar 200 por cento mostrar 100”, lamentou. Ainda assim, Bia assume que, “felizmente, começa-se a ver mais mulheres, a perceber que vieram para ficar e que fazem tanto como os homens. Vamos chegar lá”, frisou, para terminar.