No lugar de Saímes, na freguesia de Espadanedo, em Cinfães, centenas de mulheres e homens vivem uma tradição secular, um arco gigante que é erguido em honra de Nossa Senhora de Lurdes. Lúcia Costa é a responsável pela planta do arco nas festividades deste ano.

“Cresci aqui e estou habituada desde pequenina a cobrir o arco, a ver as mulheres a cobrirem e os homens na construção. E, como estou ligada à família que continua a tradição, sinto muito isto e, para mim, é também um orgulho perceber que, com o passar dos anos, quando se faz o arco, sente-se uma união que não há o ano todo na terra. É bonito de se ver”, sublinha a jovem ao Jornal A VERDADE.

O avô de Lúcia Costa aprendeu esta “tradição já muito antiga” com a pessoa que iniciou a construção deste arco e, desde então, tem passado de geração em geração. Este ano e pela segunda vez, foi a jovem de 24 anos a elaborar a planta do arco pela ligação que tem a esta festividade e também porque gosta de desenho.

São cinco quadros que vão compor este arco de cerca de 45 metros de altura. O tema deste ano é a apanha da azeitona, que é “uma cultura ainda muito frequente” no local e noutras freguesias do concelho. “Cresci a ouvir histórias do antigamente de as pessoas irem para o campo e de ser mais do que um dia de trabalho, era um dia de convívio e de festa”, conta.

As bandas filarmónicas e a música também vão estar representadas num dos quadros, bem como o brasão do concelho e da freguesia de Espadanedo. Há ainda outro quadro que representa a Ribeira do Porto, “que nada tem a ver com Espadanedo, mas que representa uma das paisagens mais bonitas do país, é uma paisagem do Norte e traz cor”.

Por último, a temática da COVID-19 também não foi esquecida, apesar de Lúcia Costa ter hesitado. “O arco é história e conta histórias e a COVID faz parte da nossa história”, comenta.

No topo do arco é colocada uma imagem de Nossa Senhora de Lurdes com “uma mensagem especial”, que espera que “motive as pessoas”: “A tua fé é o que te faz seguir”.

O arco é feito, “essencialmente, em madeira e demorou três meses a sua construção”, refletindo “muito trabalho”, que, “no fim, compensa”. É, depois, ornamentado com papel recortado que é colado com uma pasta feita de farinha de trigo.

É a força humana, “de mais de uma centena de pessoas, com o auxílio de um trator e alguns cabos de aço que levanta o majestoso arco, numa tarefa arriscada e carregada de emoção”, refere a autarquia, que atribui um subsídio no valor de 1.600 euros para ajudar a fazer face às despesas com a construção deste arco.

Lúcia Costa explica ainda que são centenas as pessoas que se envolvem nesta festividade e que há vários emigrantes que “vêm gozar as férias de verão” e passam os dias “a trabalhar naquela que é a tradição da terra”. Por isso, deixa o seu agradecimento aos emigrantes e a todos os que ajudam a erguer este andor gigante.