O conflito entre a Ucrânia e a Rússia já dura há mais de um mês. Até agora, já são milhares os deslocados do país que está a ser constantemente bombardeado. Anastácia Sobol, filha de emigrantes portugueses, conseguiu vir da Ucrânia para Portugal e ser acolhida na família de Helena Mouta, em Cinfães, há cerca de três semanas.

Os pais de Anastácia são amigos de Helena Mouta e mantiveram sempre o contacto desde que foram para a Ucrânia, em 2008. A jovem tem 16 anos e a dupla nacionalidade, o que “facilitou imenso a vinda para cá”. No entanto, o irmão de 19 anos não pôde vir porque a Ucrânia não está a aceitar a saída de homens entre os 18 e os 60 anos e, então, a mãe ficou a fazer-lhe companhia.

O caminho desde a cidade onde vivia, Poltava, até cá não foi fácil. Esteve 18 horas sozinha num comboio, “viu muita gente a fugir”, passou a capital da Ucrânia, que é um dos centros do conflito, e chegou à Polónia. Lá, ficou dois dias e uma noite com portugueses que a mãe conhecia e a quem agradece e só ao quarto dia é que chegou a Portugal.

Em Poltava, “por enquanto, as comunicações estão seguras”, é uma “cidade praticamente intocável”, mas tem recebido “muitos refugiados de Kharkiv” e a sirene “tem tocado lá muitas vezes”, explica Helena Mouta, referindo que tem estado sempre em contacto com a mãe da jovem. “Eles estão muito preocupados, sempre com muito medo. A qualquer momento pode começar a correr mal. Têm amigos noutras cidades que estão mesmo a passar grandes necessidades”, disse.

Helena Mouta vive em Penafiel e tem tentado dar a Anastácia “algum conforto”, encaminhando-a para casa dos pais, em Cinfães. Apesar de não falar “muito bem o português, percebe e vai apanhando umas palavras pelo meio” e consegue fazer-se entender junto da sua nova família.

“Está a correr muito bem! Ao fim de semana vou lá [a Cinfães]”, conta, acrescentando que “a escola providenciou uma língua não materna, duas tardes por semana, para ver se começa a desenvolver a aprendizagem” do português. Contudo, “há dias bons, há dias menos bons”, que são influenciados consoante as notícias que vai sabendo do seu país.

“Eu estou bem. Agora vivo com pessoas que me ajudam a qualquer momento. Estou segura e essa é a principal coisa. Toda a gente à minha volta é muito simpática”, disse Anastácia, sublinhando que reza pela paz no seu país e acredita “que tudo irá ficar bem”. “Temos de ser fortes e esperar que muito em breve isto irá acabar”, finalizou.

Para Helena Mouta, acolher esta jovem tem sido “um desafio muito grande”, mas aconselha a quem “tiver verdadeiramente disponibilidade em todos os sentidos” a fazer o mesmo.