Serão vários os motivos que o poderão levar a visitar Celorico de Basto, mas um deles será certamente a Aldeia em Miniatura – o presépio de Molares. Composto por mais de 2500 peças, entre casas e figuras, há 14 anos que pode ser visitado por quem passa pela Estrada Nacional 210, que atravessa o lugar de Estremadouro, freguesia de Molares.

A tradição começou há catorze anos, pelas mãos do Sr. Carlos, depois de um apelo do padre da freguesia. “Na altura pediu para que cada lugar fizesse um presépio, que eu comecei e continuei”, recorda em entrevista ao Jornal A VERDADE.

Catorze anos depois continua a dedicar-se ao projeto e nem mesmo a pandemia o fez parar, mas não está sozinho nesta tarefa. “No dia da abertura, para colocar os bonecos, estamos à volta de oito pessoas”, conta.

Com cerca de cem metros quadrados, o presépio de Molares vê ‘a luz do dia’ ao fim de uma semana de trabalho. “Este ano comecei na noite do dia 26 de novembro e no sábado seguinte já tinha colocado a iluminação, com a ajuda do meu genro. Normalmente começo num domingo e acabo no outro, mas não ando lá o tempo todo”, diz.

Ano após ano, o Sr. Carlos gosta de aumentar o presépio e fazer algo de novo. Este não será possível, porque está “no limite”, mas garante que quem visita “nunca vai encontrar um presépio igual: há peças que têm de estar sempre no mesmo sítio, devido ao ponto de luz, mas há sempre novidades. Este ano há duas, o tear e uma casinha nova. Também não se pode fazer muita coisa, porque depois não tenho onde guardar”.

As ideias são sempre originais. “Vem-me a ideia à cabeça e faço. Não gosto de fazer cópias”, garante.

Depois de tantos anos a dedicar-se à construção do presépio, o Sr. Carlos confessa que “apanhou o gosto e agora será difícil de desistir”. Mas “enquanto a saúde deixar, é para continuar”.

Aos 60 anos, Carlos Mota é funcionário da câmara local e faz questão de ter férias nesta altura para se dedicar ao presépio. Uma dedicação que será “difícil” alguém continuar. “Tenho as filhas que gostam, mas o tempo não deixa. é complicado”.

No fim de semana depois dos Reis, chega a hora de arrumar, com a ajuda da esposa. “Demoramos dois dias, porque a tirar é mais rápido. Fico triste por desmontar uma coisa que demorou tanto tempo a fazer, mas tem de ser, é a tradição”.

Mas desmontar é também um alívio para o Sr. Carlos, porque enquanto o presépio está montado “é um desassossego. De noite ouvimos barulho e vamos ver, porque pode haver vandalismo, já não é a primeira vez que me faltam coisas”, conta.

O presépio de Molares pode ser visitado todos os dias e são “centenas as pessoas” que gostam de o apreciar. “Às vezes ando por ali, vou compor alguma coisa, porque todos os dias tem de haver manutenção, as pessoas perguntam ‘quem fez isto?’ e eu digo o dono está a ouvir. Uns puxam os outros”

Por isso, fica o convite do Sr. Carlos: “façam um passeio pela região e visitem este trabalho. Não pagam entrada, nem saída”, assim termina a entrevista com a boa disposição que o caracteriza.