Há mais de 10 anos que a casa de António Santos não passa despercebida na freguesia de Jugueiros, concelho de Felgueiras.

Foi emigrante, na Suíça, durante 35 anos, e nas visitas a Portugal de “duas a três semanas” iluminava toda a casa, “mas não como agora. Fazia figuras que são muito lindas, únicas no país e na Europa, porque foi uma série que saiu lá (Suíça) e eu comprei tudo. A partir daí nunca apareceu mais nenhuma”, recorda. 

Nos tempos que viveu na Suíça foi influenciado pelos concursos que eram feitos das casas mais iluminadas e foi “ganhando o gosto. Ia ver as casas e também colocava na minha”.

No regresso a Portugal, há seis anos, não quis abandonar a tradição e continuou a dedicar-se à iluminação de Natal. “Comecei a fazer com o gosto de mostrar às pessoas uma coisa única que não se vê aqui. Quando vim para cá comecei a pôr muito mais coisas”.

Este ano a casa está iluminada com “cerca de 15 mil luzes” que são acompanhadas pelo presépio, composto por imagens “grandes e luminosas”, como Pais Natal, renas, um comboio, trenós. “Tenho muita variedade, são coisas lindíssimas e fora do normal”, conta o senhor António, que se mostra orgulhoso pela iluminação.

Aos 67 anos diz “adorar” a época natalícia e todos os dias, a partir das 18h00, os portões de sua casa estão abertos “para todos aqueles que a queiram visitar. Comove-me ver a alegria das pessoas por verem uma coisa única. Ficam sem palavras para me agradecer pela grandeza que aqui está”, diz.

Desde o Porto, Vila Nova de Gaia, Santo Tirso até Famalicão, são “muitas as visitas” que recebe. “Ano após ano, tem sido uma loucura. Aliás, no dia de ano novo não me consegui sentar para jantar”, conta.

São muitas as visitas que querem ajudar António Santos com “as despesas da luz”, porque como o próprio nos diz, “ao fim de um mês a fatura é bastante elevada. Mas eu não ligo a isso, porque o mais importante é a oportunidade que as pessoas têm de ver uma coisa destas”, garante. 

Para colocar uma iluminação destas é preciso “ter cabeça”. É quase um mês de preparação, mas o senhor António gosta “do trabalho” que tem. “As pessoas não se cansam de ver e às vezes nem me apetece ir para a cama. Gosto de ver os jardins, as iluminações, ando mesmo feliz nesta altura”.

A família “já está habituada” a esta tradição e, por isso, hoje em dia a iluminação é feita “mais para os outros. Vejo a alegria das pessoas e dá-me vontade de continuar. Depois fico triste quando tenho de tirar tudo, mas tem de ser”.

Com uma jovialidade evidente nas palavras, António Santos pretende continuar a iluminar a casa “por muitos mais anos” e sempre com o objetivo de “aumentar” a iluminação com “inspiração” da Suíça.