Este sábado à noite, a Sala Suggia, na Casa da Música, no Porto, foi o palco do espetáculo multidisciplinar escolar da Artâmega – Academia das Artes do Marco de Canaveses.

“No coração, talvez” foi o nome do espetáculo que teve como ponto de partida o universo literário de José Saramago e reuniu no mesmo palco o teatro e a música (orquestra e coros).

Para Cecília Ferreira, professora responsável pelo espetáculo, esta foi “uma maratona de longo curso”, já que foi “um período muito intensivo em fim de ano letivo, em que toda a gente está muito cansada”. “Mas toda a gente se dedicou ao máximo e, com a vontade de todos, com a união de todos, foi possível construirmos uma coisa que nos orgulha a todos e que, de facto, tem uma dimensão mais profissional do que amadora”, continuou, afirmando que “este momento valeu todo o esforço, toda a dedicação e todo o empenho”.

Estiveram em palco 24 atores, cerca de 20 membros da orquestra e 160 dos coros e contaram ainda com a colaboração de profissionais de várias áreas para que o espetáculo fosse possível. “Queria usar o corpo como um elemento cenográfico, porque não tínhamos cenário nenhum para também nos iniciarmos nessa linguagem mais virada ao corpo. Também tivemos uma pessoa que trabalha especificamente o corpo do ator para iniciar toda uma linguagem e tínhamos os textos de Saramago, que, por si só, já são uma coisa muito grandiosa e isso foi o ponto de partida para todos o nosso trabalho. Também valorizá-lo e celebrá-lo, num ano em que comemoramos o centenário do seu nascimento”, descreveu.

“Quisemos retomar, este ano, este espetáculo [que costuma decorrer de dois em dois anos] e, olhando para aquilo que o Marco tem como palco, não tínhamos espaço nenhum capaz de acolher um evento desta dimensão”, disse Carlos Correia, presidente da direção da Artâmega. “Coloquei o desafio aos professores e aos alunos de ir mais longe do que o que temos feito e colocar o nosso trabalho num palco de excelência, sobretudo para a música, mas para as artes, que foi a Casa da Música. Juntámos as duas coisas, que é o facto de podermos ter no mesmo palco tanta gente, podermos ter cerca de 1.300 pessoas a assistir e, ao mesmo tempo, proporcionar aos nossos alunos um momento que, certamente, vai ficar marcado para sempre na vida deles, porque pisar um palco destes não é todos os dias e não é para qualquer um”, continuou.

Carlos Correia explica ainda que este espetáculo foi “o culminar de um ano letivo muito intenso, foram muitas horas de trabalho para tornar isto possível, muita gente à volta deste projeto”, já que este foi “um trabalho inédito”. Tudo o que apareceu em palco foi “criação da Artâmega”, havendo “muita gente envolvida” neste projeto feito “de raiz”.

“Tendo em conta que foi um trabalho muito intenso nos últimos tempos, acho que o resultado de ontem foi fantástico. O facto de termos conseguido levar gente do Marco a uma sala de espetáculos como esta, que, se calhar, nunca teriam oportunidade ou nunca teriam ido se não fosse através de nós, o facto de ter levado muita gente a tomar contacto com a obra de Saramago, que, se calhar, nunca leram e nunca irão ler se não fosse através de nós… só termos conseguido isso, acho que já é uma vitória enorme. Porque é essa uma das grandes missões também da Artâmega, que é promover a cultura e promover a educação no concelho, na região e no país. Acho que conseguimos, sobretudo, os grandes objetivos que pretendíamos e correu tudo muito bem. Foi um fantástico momento”, concluiu.

“É com grande orgulho que assistimos a esta grande produção da Artâmega, que demonstrou bem que, de facto, a educação e a cultura se fazem com amor e paixão e, de facto, o Porto acolheu com muito gosto nesta Casa da Música, que é um equipamento emblemático, não só da cidade mas da região e, portanto, é um polo aglutinador. É com muita honra e orgulho que, de facto, acolhemos este espetáculo, que tem excelente qualidade e que, naturalmente também evidencia que o Porto se faz com esta grande região e com Portugal, porque não queremos afirmar apenas o Porto cidade. Cada vez mais o Porto se afirma nesta grande região”, comentou Fernando Paulo, vereador com o Pelouro da Educação e Pelouro da Coesão Social da Câmara Municipal do Porto, acrescentando que continuam “de portas abertas”.