Conheça a história de Carla Guedes, uma jovem investigadora de 27 anos, natural de Lousada, que se destaca no mundo da investigação e que, recentemente, fez parte de uma equipa de investigadores que produziu uma vacina comestível contra a COVID-19.

A pergunta ‘porquê’, que sempre intrigou Carla Guedes, levou-a a escolher a área das ciências e, hoje, faz parte do número de mulheres que seguiram a carreira da investigação científica. Licenciada em Ciências Biomédicas Laboratoriais e mestre em Microbiologia e Saúde Pública, Carla Guedes recorda que “desde a escola primária tinha uma vontade de perceber como as coisas se processavam ou como aconteciam”. Com o evoluir da formação académica, começou a “ficar claro que esse era o caminho que queria seguir” e, atualmente, trabalha num laboratório que “procura dar resposta a várias questões ligadas a muitos dos problemas que afetam a sociedade”

Com o objetivo de aumentar a consciencialização sobre a questão da excelência das mulheres na ciência, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou, em 2015, o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, que destaca o papel das mulheres na produção de conhecimento científico, sensibilizando a sociedade civil para a importância de derrubar barreiras impostas pela desigualdade entre géneros no acesso à educação e carreiras, na área das ciências exatas.

No dia em que se assinala o dia das mulheres na ciência, a lousadense está convicta de que o mundo da ciência “nunca será de um só género”, mas sim de “mentes brilhantes, tanto de homens como de mulheres”. Carla Guedes dá o exemplo do grupo de investigação em que está inserida, que tem “mais investigadores do sexo feminino quando comparado ao sexo masculino, embora seja um dado variável com as diferentes áreas”.

Como diz o ditado ‘quem corre por gosto não cansa’ e a investigadora faz dele o seu propósito de vida, que a faz sentir-se “feliz e realizada” com a escolha do seu percurso. A atual situação pandémica que vivemos, fê-la perceber que todo o conhecimento e competências que desenvolveu foram “acertadas”, dando-lhe a “capacidade de contribuir para a comunidade e bem-estar das pessoas”.

A pandemia da COVID-19 tem demonstrado o papel “fundamental” das mulheres em diferentes áreas, desde o conhecimento sobre o início do  vírus até o desenvolvimento de técnicas de teste e, finalmente, da vacina contra o vírus. Carla Guedes fez parte de uma equipa de investigadores que produziu uma vacina comestível contra a COVID-19, em formato de iogurte e sumo de frutas. A vacina surgiu na necessidade de resposta à COVID-19, tendo em conta aplicações nas faixas etárias mais jovens, nomeadamente as crianças. Sob ponto de vista prático o seu envolvimento foi mais conceptual, ou seja, contribuir com ideias e conceitos para o seu desenvolvimento e produção. Um projeto “completamente inovador” em Portugal do qual fez parte enquanto técnica de diagnóstico e que a própria considera “desafiante“. Neste pressuposto ficou claro para a investigadora , que a decisão que tomou em seguir a Ciência foi uma decisão “acertada”, uma vez que, perante as adversidades que, “infelizmente, ainda vivemos, a Ciência foi capaz de dar a resposta necessária, nomeadamente pela criação da Vacina para a COVID-19”.

Repensando as suas ambições futuras, Carla Guedes procura especializar-se na área da Biotecnologia Avançada, no ramo da Microbiologia Clínica e desenvolver estudos em torno de doenças infecciosas. 

“A ciência demonstrou ser útil às necessidades das pessoas e a prova disso é a pandemia, na qual foi possível identificar todo o genoma do vírus, compreender o seu método de infeção, as suas variantes e a consequente vacinação”, destaca a investigadora, que deixa um apelo às entidades governamentais para que respondam às “necessidades” das instituições científicas e dos seus investigadores. A mesma considera que as pessoas, hoje, “sabem o valor da ciência e o impacto que esta pode ter na sua vida”.

Como diria Nelson Mandela “Tudo é considerado impossível, até acontecer!”