Bombeiros Voluntários de Penafiel recuperaram placa que, no passado, era usada para localizar incêndios no concelho.

A história de 175 anos “dos soldados da paz” dos Bombeiros Voluntários de Penafiel compõe-se com um conjunto de acontecimentos que marcaram o crescimento da instituição do concelho penafidelense.

Um passado e uma história que ficam agora mais completos com uma nova descoberta: “há alguns meses chegou até nós uma fotografia, através das redes sociais, que poderia ter passado despercebida, não fosse a mesma uma placa que, no passado, era uma identificação usada pela corporação para identificar a localização dos incêndios”, revela o adjunto do comando André Rocha ao Jornal A VERDADE.

Identificada como “Sinais de incêndio”, a placa assinalava as freguesias que compõem o concelho de Penafiel, seguidos do número de badaladas que deveriam ser tocadas no sino da igreja, quando havia algum incêndio. O operacional explica que como “antigamente não havia sirenes, como hoje em dia, as pessoas tinham essa prática e a corporação conseguia perceber onde era o incêndio, se era na zona ou fora, e deslocavam-se para as ocorrências”

Desconhecendo a sua existência, os Bombeiros Voluntários de Penafiel iniciaram o contacto com várias entidades para perceber qual a sua localização, na tentativa de recuperar um objeto que faz parte da história da corporação. Depois de “cerca de dois meses” de procura conseguiram chegar até José Gomes, que guardava o objeto e que se disponibilizou “de imediato” a fazê-la chegar a Penafiel “com todo o gosto”, confidencia André Rocha.

Há 30 anos sócio-fundador do aeroclube de Cerval de Vila Nova Cerveira, situado em Caminha, José Gomes, em entrevista ao nosso jornal, confessa que “sabia da existência da placa, que tinha a ver com incêndios e que era da zona de Penafiel”, mas nunca comentou com ninguém. “Os helicópteros de combate a incêndios florestais estiveram estacionados no aérodromo durante vários anos. Foi aí que conheci a placa que estava nas instalações do aeroclube que cedíamos sempre aos bombeiros e ficou lá, seguramente, 20 anos”, conta o primeiro sócio do aeródromo.

Mais tarde, o objeto foi transportado para a casa florestal atribuída ao aeroclube de Cerval e colocada no bar, “onde as pessoas que visitavam , achavam curioso e tiravam fotografias”. Fotografias essas que, a circular nas redes sociais, fizeram chegar aos Bombeiros Voluntários de Penafiel a informação da existência da placa. 

Contactado pelo comandante da corporação por email, José Gomes respondeu que “naturalmente a restituía, uma vez que existe um museu e fazia todo o sentido estar lá”.

No dia 16 de fevereiro, a placa dos incêndios foi entregue nas instalações dos Bombeiros Voluntários de Penafiel por José Gomes, a quem a corporação “agradeceu a sensibilidade e atenção” com a oferta de “um livro sobre a história da corporação, como forma de recompensa”.

O objeto com um “valor especial” para a corporação que, como nos garante o adjunto do comando, André Rocha, será posteriormente colocada no museu do quartel, para que “a população perceba como antigamente os bombeiros sinalizavam as ocorrências, sem os instrumentos que existem hoje”.