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Bombeiro na Suíça há oito anos, Miguel veio de férias e doou material à corporação de Felgueiras

Redação

Há quase 11 anos que Miguel Loosli, natural de Lagares (Felgueiras) vive na Suíça (Feuerwehr), mas o "amor à pátria" mantém-se e foi visível no dia 24 de agosto, com a entrega de diversos materiais aos Bombeiros Voluntários de Felgueiras.

Num valor estimado entre "15 e 20 mil euros" o emigrante felgueirense fez chegar à corporação "luvas (que nem estavam usadas), um aparelho de soprar (para tirar o fumo das escadas de um prédio por exemplo), materiais de desencarceramento em caso de acidente (tirar pessoas dos carros). Tudo novo, porque na Suíça temos de investir o dinheiro em materiais novos".

Miguel Loosli ficou "ainda mais sensibilizado", porque desde há oito anos que é bombeiro voluntário no país helvético e assim surgiu a ideia de doar os materiais. "Todos os anos compramos e recebemos novos equipamentos e roupas. Então reparei que deitávamos ao lixo ou enviávamos para outros países. Um dia disse ao chefe que gostava de poder ajudar os bombeiros da minha terra e ele disse logo que sim", recorda. 

O emigrante pôs mãos à obra e começou a tentar perceber como poderia fazer chegar a doação aos Bombeiros Voluntários de Felgueiras. Os colegas "organizaram todo o material" e o felgueirense tratou de "arranjar o transporte. No início tentei procurar, mas era tudo muito caro. Eu expliquei qual era o objetivo e que queria arranjar o mais barato possível. Como vi que os preços eram muito elevados, resolvi trazer o meu reboque para Portugal com todo o material".

E assim foi. Veio de férias e trouxe "tudo" o que tinha reunido. "Os meus colegas e chefes ficaram contentes por ajudar, e eu também, por trazer coisas para o meu país e ajudar a minha terra".

Tem 32 anos e para além de ser pintor de carros, Miguel Loosli dedica, também, parte do dia aos bombeiros de Langenthal, onde é voluntário e faz a gestão do museu. Em Portugal já tinha a vontade de integrar uma corporação, mas nunca o fez, porque a vida o "obrigou" a emigrar depois dos estudos.

Já na Suíça quis tornar-se bombeiros por influência "dos colegas", uma vez que se integrou "muito rápido. Para mim até foi mais fácil para aprender a língua alemã e integrar-me na comunidade. Como eles eram pensei 'vou inscrever-me como voluntário'". No final do ano, em novembro, e para surpresa, deparou-se com o ordenado de bombeiro na conta que "não contava. Quando me inscrevi achava que não ia receber, porque estava como voluntário, mas fiquei feliz. Falei com o chefe e questionei se algo estava errado e eles disseram que lá nenhum bombeiro trabalha de graça".

De acordo com o emigrante, na Suíça "todos os habitantes, sejam suíços ou estrangeiros, são obrigados a pagar uma taxa mensal para os bombeiros. Para além disso, cada serviço que fazem é pago e os bombeiros têm direito a um ordenado e financiamento para comprar materiais".

Condições "muito diferentes" das que existem em Portugal e que o deixaram "muito chocado" quando as percebeu no contacto com os colegas bombeiros portugueses. "As lágrimas vieram-me aos olhos quando fui fazer a entrega. Falei com alguns bombeiros e fiquei triste. Pensei que não tínhamos assim tantas dificuldades, mas Felgueiras têm muitas".

Uma realidade que o deixou com "vontade de ajudar mais vezesDefinitivamente sim e vou procurar ajudar mais e entrar em contacto com outras corporações de cidades vizinhas. Pedir mais ajuda para poder apoiar a minha terra e a minha pátria. Eu não fazia ideia, e os felgueirenses também não, do que é ser bombeiro e não ter possibilidades. Em Portugal ninguém ajuda os bombeiros. É preciso coragem para dizer 'nós bombeiros precisamos de ajuda' e fazer chegar essa mensagem às pessoas", alerta o emigrante.

Miguel Loosli gosta de ser bombeiro e de ajudar os outros e o que mais gosta "é de resgatar pessoas nos incêndios e animais. Quando retiramos o animal com vida e sem ferimentos é ótimo", diz com carinho.

O felgueirense continuará a ser bombeiro e a responder aos serviços que chegam "a qualquer hora, seja de madrugada ou quando estou no trabalho. Se o telemóvel tocar eu vou. Sou voluntário, mas quando tem de ser deixo o trabalho e vou a correr para os bombeiros".