Sair de Lisboa ainda em 2022 e chegar ao Dubai já em 2023. Será esta a realidade de Beatriz Matos, natural de Marco de Canaveses e hospedeira de bordo na Fly Emirates. Esta noite de 31 de dezembro de 2022 estará no avião com destino ao Dubai e a entrada no novo ano será feita “acima das nuvens”, em conjunto com os passageiros e toda a equipa que se encontrará a bordo.

O fascínio por esta área começou através da série de televisão ‘Pan Am’, que retrata a vida dos pilotos e hospedeiras de bordo da antiga companhia aérea americana. “A partir desse momento, fiquei curiosa em saber mais sobre o trabalho, foi então que pesquisei a fundo na internet tudo o que era necessário, desde os requisitos necessários até às companhias aéreas, bem como o tipo de vida que os hospedeiros tinham”, recorda a jovem de 22 anos, em entrevista com o Jornal A VERDADE.

Em 2015, através de um vídeo, conheceu a companhia aérea Emirates, com base no Dubai. “Foram várias as razões que me cativaram a tentar entrar na Emirates. Os benefícios oferecidos pela empresa como um salário livre de impostos, a oferta de acomodação e transporte, a chance de viajar pelos mais de 150 destinos que a companhia opera e também a oportunidade de trabalhar numa empresa vencedora de vários prémios internacionais”, descreveu.

A ambição era grande e o sonho também, mas com o início da pandemia e com a indústria da aviação a ser uma das mais afetadas, a jovem pensou que “talvez não iria conseguir tornar o sonho realidade”. No entanto, em setembro de 2021, a Emirates começou a contratar. “Foi nessa altura que me candidatei. Sabia que tinha reunidos os requisitos pedidos pela companhia”, recordou.

O processo de recrutamento de Beatriz Matos foi diferente do que acontece atualmente. “Tudo começou com a candidatura online e a entrega de alguns documentos e fotografias nossas. De seguida, fiz uma entrevista online onde tive de responder a várias perguntas relacionadas com a minha experiência no atendimento ao cliente. A última etapa foi uma entrevista com as recrutadoras da Emirates, em Lisboa. Nessa entrevista é avaliado o nosso nível de inglês, bem como a altura. O processo demorou cerca de quatro meses e foi bastante intenso, cada fase era uma mistura de preocupação, ansiedade e expectativa”, afirmou.

A 12 de dezembro de 2021 recebeu a ‘Golden Cal’ (chamada dourada), onde foi informada que tinha entrado. “Cerca de um mês e meio depois estava a caminho do Dubai”, afirmou orgulhosa. Da sua profissão, revela, gosta de “não parecer um trabalho. Não tenho uma rotina fixa, faz com que todos os dias sejam diferentes. Sempre que vou a caminho do aeroporto nunca sei o que esperar, o destino é diferente, os colegas de trabalho são diferentes, bem como os passageiros. É um misto de ansiedade e excitação. Tenho sempre algo que me motiva a ir trabalhar”.

A parte mais difícil, para a jovem marcoense, é de não ter os seus pais junto de si. “Sinto que estou a perder memórias com eles. Não consigo estar presente em aniversários, casamentos, natais…. Custa-me não conseguir estar com eles mais regularmente e pensar que se alguma coisa acontecer eu não estou presente. Há momentos que vivi que queria ter partilhado com eles e vice-versa, mas a distância não nos permite. Sei que os meus pais estão felizes e orgulhosos de mim e isso é o mais importante. Foram eles que sempre me deram força e coragem para agarrar esta oportunidade”, disse, emocionada.

Apesar desta parte “menos boa”, Beatriz Matos afirma que esta foi “a melhor escolha que podia ter feito. Não tenho nenhum arrependimento. É cansativo e solitário, mas também é incentivador saber que hoje estou no Dubai e amanhã posso estar noutro continente. Neste primeiro ano já estive em 20 países e 57 cidade. Tenho o objetivo de visitar 50 países nos primeiros três anos de carreira”, confidenciou.

“A meia noite será passada a bordo”

Com este tipo de trabalho, as épocas festivas são passadas, muitas vezes, a trabalhar e este ano não é diferente. “O último voo do ano que vou operar será de Lisboa para o Dubai. Tive a sorte de ainda conseguir ver os meus pais no final do ano, nos dias 30 e 31. No entanto, a meia noite será passada a bordo”, frisou.

Diz-se “entusiasmada” e quando viu na sua escala que sairia de Lisboa nesse dia ficou “bastante feliz. Irei ter portugueses a bordo, o que faz com que me consiga sentir em casa, pelo menos um bocadinho.  Não sei se iremos ter contagem decrescente, mas espero que sim. Também não vai haver o típico brinde de champagne, mas conto em brindar com, pelo menos, sumo. Será a passagem de ano mais diferente que alguma vez vivi. Espero que seja um bom voo e que aterre no Dubai em segurança no primeiro dia do ano”

Para finalizar, a jovem deixa uma mensagem a todos os que, tal como ela, também têm o sonho de “voar” mais alto. “É cansativo, desgastante, solitário, assustador, mas também é o melhor trabalho do mundo. As experiências que adquirimos, os amigos que fazemos, o conhecimento que ganhamos, sobrepõem-se a tudo isso. O nosso trabalho tem como objetivo unir famílias, especialmente nestas datas festivas, não poderia estar mais feliz por o fazer. Se têm o sonho de tornar-te hospedeiro de bordo e têm os requisitos mínimos, esta é a melhor altura para se candidatarem. O mundo está a voltar à normalidade e as companhias aéreas precisam”, concluiu.