Teve início na quinta-feira, dia 20 de janeiro, a primeira fase da obra de reabilitação e valorização do rio Ovil, em Baião. A Junta de Freguesia de Ancede acolheu uma sessão de esclarecimento sobre o projeto.

Este projeto está dividido em várias fases. A primeira fase da criação do percurso pedonal ao longo do rio Ovil tem a extensão aproximada de dois quilómetros e meio entre a Ponte Nova (Ancede) e a foz do Ovil (Ribadouro), num investimento de 157 mil euros, financiados pela Agência Portuguesa do Ambiente e pela Câmara Municipal de Baião. No futuro, este percurso vai ter mais fases, encontrando-se já em preparação de candidatura a financiamento a extensão entre Outoreça (Ovil) e Várzea (Campelo).

Entre as várias ações que vão ser realizadas junto à foz destaca-se a eliminação de espécies invasoras das margens, a contenção de alguns silvados, a reposição da galeria ribeirinha, com plantações de espécies neste espaço, bem como “a promoção do envolvimento da comunidade”, com a proposta de um trilho ao longo das margens para fins de “turismo, fiscalização, acompanhamento do rio, das intervenções que vão lá ocorrer e para garantir que o rio está em bom estado”, explicou ao Jornal A VERDADE Pedro Teiga, autor do projeto.

De acordo com Daniel Guedes, presidente da União de Freguesias de Ancede e Ribadouro, este é “um desejo já de há muitos anos da população” relativamente às margens do rio Ovil. “Este trabalho que se pretende fazer é muito importante até porque as margens têm muito lixo e, havendo esta limpeza e de forma a que as pessoas possam passar e fazer as suas caminhadas e possam, com os miúdos, fazer os seus passeios matinais, é muito importante para, efetivamente, valorizar o nosso território”, continuou.

O autarca local defende que é necessário haver, nas escolas, “mais ações de sensibilização”, porque “as pessoas ainda não estão habituadas a esta forma de estar”. “Era importante que todos possamos transmitir às pessoas o que é a valorização do nosso território e, se tiver um estudo bem preparado e em condições, as pessoas vêm uma vez e continuam a visitar-nos”, completou, lançando o repto à Câmara Municipal de Baião para que se desenvolvam mais sessões de esclarecimento como esta pelas diversas freguesias e escolas do município.

O vereador José Lima afirmou que “é a vontade do município” que isso aconteça e “é um desafio” a propor. “Isto é educação ambiental. Quando fazemos exatamente esse trabalho, educamos o ser humano e, nesse sentido, vamos valorizando exatamente este território”, referiu, explicando que o que vai ser feito é “a recuperação dos trilhos ao longo do rio e que vão fazer exatamente essa vertente de valorização do rio também”.

Durante a sessão, Daniel Guedes anunciou ainda que tem “a comunicação que, até ao final de 2023, será feita a ampliação da ETAR existente em Mosteirô” e ficarão, por isso, com “esse problema resolvido”. “Já acompanhei nesse trabalho o técnico responsável por este trabalho e, por isso mesmo, ficamos muito contentes se, no final de 2023, as ETARs sejam erradicadas do Rio Ovil, Então, aí sim é que nós ficamos mesmo com um rio Ovil com uma valorização fantástica e é para isso que nós vamos trabalhar”, revelou.

Foto: Município de Baião

“Esta é a altura de ouro em termos de atuação nos recursos cívicos e isto resulta não só porque o meio científico tem conhecimentos e competências para propor soluções em cima da mesa, mas, essencialmente, porque existe uma perceção global da população que isto é um investimento que os municípios estão a fazer e uma mais-valia para todos. Então, já chegamos a este patamar, a população já quer, efetivamente, que se façam intervenções”, comentou Pedro Teiga.

“Quem efetivamente aprender com rios, com esta linguagem dos rios vai contribuir para a melhoria dos rios, mas também para a melhoria das pessoas, para a melhoria dos ecossistemas ribeirinhos e também para a melhoria do nosso planeta, porque isto é o pensar global, mas agir no nosso rio, na nossa ribeira”, continuou, recordando que, nesta região, já têm vários programas de educação ambiental “muito bons a decorrer e a serem implementados”.

Este projeto enquadra-se no processo de certificação de Baião como destino turístico sustentável, uma certificação reconhecida e validada pela organização internacional Global Sustainable Tourism Council (GSTC). Baião é o concelho “mais verde” do distrito do Porto com 68 por cento do seu território coberto por áreas verdes e floresta. O processo de certificação como destino turístico sustentável foi iniciado em 2018 e resulta de um intenso trabalho de recolha e análise de informação referente a três anos, tendo culminado com uma auditoria feita pela entidade internacional EarthCheck, uma Organização Não Governamental de referência na área.

Com este projeto, é pretendido criar um “corredor ecológico” que seja um local de fruição da natureza, de sensibilização e educação ambiental, ao longo de um percurso que possui “uma grande riqueza ao nível de espécies autóctones em termos de fauna e de flora”, informa a autarquia. A obra vai obedecer ainda a uma abordagem de desenvolvimento sustentável, recorrendo a técnicas de engenharia natural. Os técnicos municipais e a empresa de construção já receberam formação especializada no sentido de poderem acompanhar as características próprias desta obra que visa ter “um reduzido impacto ambiental”.