Desde muito novo que Eduardo Cardoso presenciava os avós e posteriormente os pais a ‘dar vida’ às conhecidas bengalas de Gestaçô, no concelho de Baião. São uma “arte que vem de família” e tem passado de geração em geração há 100 anos. Hoje em dia, foi criado um curso para ensinar o modo de fabrico destas bengalas que já fizeram parte da indumentária masculina.

“Comecei a trabalhar nesta arte quando saí da escola primária. Os meus avós e os meus pais trabalhavam nesta arte e eu tive de trabalhar à beira deles. Depois de começarmos isto, é como o bichinho da curiosidade”, conta ao Jornal A VERDADE.

Foto: Município de Baião

Nascido, criado e residente em Gestaçô, Eduardo Cardoso revela que tem paixão pelo que faz e que é capaz de demorar até umas quatro horas a produzir uma bengala tradicional de Gestaçô. De encomendas particulares e personalizadas às bengalas que os estudantes universitários utilizam naqueles que são os seus últimos dias de vida académica, “é sempre um prazer” quando vê o seu trabalho a ser apreciado por outros.

Foto: Município de Baião

Tem conhecimento que já teve trabalhos seus a voarem para vários cantos do mundo, como a Alemanha, Angola e Moçambique, por exemplo, e há emigrantes que “têm por prazer” levar uma bengala para “oferecer a amigos que têm na terra onde estão a trabalhar”.

Atualmente, aos 68 anos e a trabalhar sozinho na sua oficina, é um dos formadores do curso que ensina a arte de fazer bengalas de Gestaçô, que iniciou este mês em Baião. Sublinha que “está a correr bem” e que “há interesse”.

“Espero que, no fim do curso, alguém saia daqui com interesse para continuar com esta arte, pois este talento pode constituir um elemento de desenvolvimento económico de muita gente”, salientou Eduardo Cardoso, comentando que “a arte está em risco de extinção, porque só já há quatro artesãos em atividade e todos com idade avançada”. “Para impedir o desaparecimento desta tradição são muito importantes estas formações para preparar e sensibilizar os mais novos”, referiu aquando a abertura deste curso.

Foto: Município de Baião

A vereadora Anabela Cardoso lançou o apelo para que as gerações mais jovens “não deixem morrer” a arte das bengalas de Gestaçô. “É importante garantir a continuidade e o interesse dos jovens por este ofício, que faz parte da nossa tradição e cultura e que pode transformar-se numa fonte de rendimento para quem aproveitar esta oportunidade”, afirmou.

“Acho que agora as pessoas, com a divulgação que tem havido, olham com outro olhar com a curiosidade para ver e como são feitas. Os turistas ficam encantados”, descreve, convidando as pessoas a passarem pelo concelho e “apreciem” este “trabalho muito bonito” que é feito também por outros artesãos locais.