Do amor pelo teatro ao desafio do improviso, Rafael Pereira e Ana Pinto ‘viajam no tempo’ cada vez que interpretam uma personagem. Em Baião, dão voz e corpo aos “Viajantes no Tempo”, promovendo a cultura da comunidade, ao mesmo tempo que desenvolvem o território.

Já não se lembram como tudo começou, mas sabem que se encontraram em vários eventos, começaram “a trocar ideias” e foi “assim uma coisa que da vontade surgiu para a prática”. A “empatia” logo se desenvolveu e, hoje em dia, durante uma representação, conseguem saber o que o outro precisa só pela troca de olhares. “Criámos aqui uma empatia muito grande e um envolvimento que nos permite desempenhar este papel”, acrescentou, referindo que este trabalho “requer uma confiança muito grande um com o outro”.

Foto: Viajantes no Tempo

“De príncipes a escravos, de pedintes a senhores, transformam a fantasia em realidade”, descrevem, explicando que o nome “Viajantes no Tempo” tem exatamente a ver com o trabalho que fazem de “recriação de diferentes épocas”, uma vez que viajam “um bocadinho no tempo”. “Não só gostamos de sentir essa viagem, como sentimos essa personagem e fazemos com que as pessoas também sintam. Queremos mesmo que as pessoas, quando estão a conversar connosco, sintam que estão a falar com determinada personagem”, explicou Ana Pinto.

Foto: Viajantes no Tempo

Uma das primeiras animações que fizeram em conjunto foi Eça de Queirós e a cunhada, personagem que já conseguiram levar “para vários locais”. A maior parte das interpretações está ligada à literatura, mas também realizam animação temática de eventos específicos e usam certas personagens para promover produtos.

A personagem mantém-se do início ao fim de cada evento e a preparação requer, muitas vezes, “semanas de pesquisa”. O improviso anda lado a lado com a maior parte dos seus trabalhos o que acaba por ser “desafiante”. Quanto aos figurinos, a ideia passa por Rafael Pereira, o desenho por Ana Pinto e o fabrico da roupa pela sua mãe.

Foto: Viajantes no Tempo

Como defendem que, “infelizmente, viver do teatro em Portugal não é muito fácil porque não é muito certo”, cada um tem a sua profissão. Rafael Pereira trabalha na função pública e Ana Pinto é professora primária. “Íamos fazendo teatro por paixão, criámos ali alguma química, uma forma de trabalhar que seria muito fácil cruzar vontades, mas, de facto, mantivemo-nos sempre no nosso trabalho”, explica o ator, referindo que “nem sempre é fácil conjugar”.

Quanto ao futuro, além das peças de teatro infantil que já têm preparadas, gostavam de ter também algumas direcionadas a adultos e, como “Baião é uma terra de escritores”, têm “algumas ideias para desenvolver o território através do teatro”. Acreditam ainda que o teatro “poderá ser uma boa ferramenta” para “conhecer o património existente”.

Na voz do prior Domingos, desejou aos leitores do Jornal A VERDADE: “Sejam muito felizes, na graça de Deus nosso Senhor e que vivam muito bem e vão ao teatro”. Já Dona Josefa disse: “Ó filhos, ide ao teatro, se não tiverdes mais que fazer. Se tiverem, deixem as coisas de lado e vão. E sejam muito felizes”.

Foto: Viajantes no Tempo