Esta terça-feira, dia 5 de abril, assinala-se o Dia Nacional do Doente com Artrite Reumatoide, uma doença reumática inflamatória crónica, que, quando não tratada precoce e corretamente, pode levar a incapacidade funcional e para o trabalho. O Jornal A VERDADE traz o testemunho de Cidália Moreira, enfermeira no Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa e natural de Lousada.

Os primeiros sintomas chegaram numa noite de trabalho e muito repentinamente. “A meio da noite, comecei a ficar com uma dor excruciante nos pulsos e pensei logo que era uma tendinite”, lembra, explicando que foi às urgências, onde lhe disseram que seria uma tendinite. Tomou medicação e a situação acalmou.

“O que é certo é que as dores persistiam e, essencialmente, a nível das articulações, não conseguia fechar a mão nem ter força para fazer nada. Tinha formigueiros e isso limitava-me nesse sentido”, continuou, referindo que acabou por voltar às urgências, sendo, depois, encaminhada para Reumatologia. Realizou vários exames para despiste de várias doenças e foi diagnosticada com artrite reumatoide. Ficou medicada, tendo apenas alguns episódios mais críticos, “mas conseguia controlar”.

Entretanto, como “o stress influencia muito” o agravamento dos sintomas e no final do ano passado e início deste ano foram vários os episódios que pioraram nesse sentido, em novembro de 2021, começou “com crises todas as semanas, essencialmente nas mãos”. Cidália Moreira conta que tinha “os dedos em garra, não fechava a mão, são dores de chorar mesmo”.

A medicação teve de ser alterada e a situação voltou a ficar estável. “Neste momento, estou bem, controlada. Os níveis analíticos estão bem, mas o stress influencia. Quando tinha de ir fazer as análises, tinha crises. Parecia de propósito”, conta.

Aos 53 anos, Cidália Moreira garante que consegue “perfeitamente exercer” as suas funções como enfermeira “com qualidade” e afirma a importância de se confiar no profissional que está a acompanhar a doença. “É uma doença crónica, mas que se consegue controlar e ter uma vida normal. Consigo fazer o meu trabalho, mas quando tenho dores não consigo nem preparar um injetável”, acrescenta, sublinhando que “é uma adaptação constante” e que leva “um dia de cada vez”. “Nestes casos, não sou enfermeira, sou uma doente como outra qualquer e, portanto, tenho de seguir as coisas que ele [médico] acha melhor para ter uma vida melhor”, diz ainda.

“Não deixem que a doença vos limite e levem a vida para a frente porque consegue-se com medicação. Vai haver altos e baixos e tem que se saber disso, mas podia ser pior, podia ser uma doença que não pudesse ser controlada, que não tivesse solução”, comenta.