Artigo de opinião de Rui Correia, médico de família, e Rita Pessoa Coutinho.

Nas últimas semanas, tem sido difundido pela comunidade médica e científica o termo “Triplidemia” – utilizado para designar as três epidemias provocadas por três vírus respiratórios diferentes, mas que acontecem ao mesmo tempo. São eles o Sars-CoV-2, causador da COVID-19, o VSR (vírus sincicial respiratório) conhecido como “vírus das bronquiolites” e o Influenza, vírus da gripe. O inverno é a altura do ano em que as infeções respiratórias são mais frequentes, causando maior impacto nos serviços de saúde com aumento do número de episódios de serviço de urgência e internamentos.

Estamos neste momento a assistir a um aumento de infeções respiratórias, típicas da época, mas em maior número, mais generalizadas na população, com maior duração e gravidade. Neste momento, as idades mais afetadas são as crianças com idade inferior a 2 anos, sendo estas principalmente atingidas pelo VSR e os mais idosos.

No caso de sintomatologia ligeira, como:

  • Febre em idades >3 meses
  • Tosse
  • Dores no corpo
  • Nariz entupido
  • Pingo do nariz
  • Diminuição do apetite
  • Vómitos e dor de barriga
  • Diarreia sem muco e sem sangue
  • Dor de garganta
  • Dor de cabeça
  • Dor de ouvido
  • deve ser feita a monitorização da temperatura, reforço da hidratação oral, repouso e tratamento sintomático com paracetamol e/ou ibuprofeno (caso não existam contraindicações) em casa.

No caso de:

  • Doenças de base (doenças pulmonares, doenças cardíacas…)
  • Imunossupressão
  • Sintomatologia se manter por mais de 3 dias
  • Agravamento dos sintomas
  • deve ser procurada ajuda através da linha SNS24 ou através dos cuidados de saúde primários via consulta aberta – consultas disponibilizadas diariamente nos centros de saúde, agendadas no próprio dia, destinadas ao atendimento de situações de doença aguda.

As pessoas que pertencem ao mesmo agregado familiar de alguém com infeção das vias respiratórias têm maior risco de serem infetadas, porque existe uma probabilidade maior de contacto próximo prolongado. O desenvolvimento e manifestação da infeção podem levar dias. Deverá seguir as mesmas recomendações de alguém com sintomas.

No caso de sintomas ligeiros como o nariz a pingar, dores de garganta, ou tosse ligeira, podem continuar a frequentar a escola.

No caso de febre, mau estar geral, vómitos e diarreia devem ficar em casa evitando o contacto com os outros, se possível. Podem regressar ao estabelecimento de ensino ou ao jardim-de-infância e reatar as suas atividades habituais quando tiverem alta médica, ou deixarem de ter febre e quando se sentirem suficientemente bem para frequentar o estabelecimento.

Devemos estar atentos aos sinais de alarme e recorrer ao serviço de urgência apenas nas situações mais preocupantes, como é o caso de:

  • Febre se idade <3 meses;
  • Febre associada a pele marmoreada, lábios e unhas roxas;
  • Irritabilidade;
  • Manchas na pele que surgem nas primeiras 24/48 horas;
  • Dor no peito;
  • Gemido;
  • Palidez acentuada;
  • Falta de ar (respiração muito rápida, ou pausas respiratórias>20 segundos, retração respiratória “covinhas” entre as costelas);
  • Ruído inspiratório persistente;
  • Tosse persistente que provoca vómito ou salivação;
  • Perda de força muscular;
  • Sinais de desidratação (olhos encovados, língua seca, choro sem lágrimas, sonolência).

Devemos reforçar o alerta para as medidas de prevenção e proteção de forma a reduzir a transmissão destes vírus, tais como a vacinação, a etiqueta respiratória, a utilização da máscara em caso de sintomas ou contacto com alguém doente, a lavagem das mãos, a desinfeção e limpeza de equipamentos e superfícies, evitar aglomerados, sempre que necessário promover o arejamento e ventilação de espaços e evitar o contacto com pessoas que estão doentes, no caso do contacto ser indispensável privilegiar o uso de máscara.