Artigo de opinião de J. Pereira Ramos, médico de família.

Todos os dias temos oportunidade de ouvir e ver nos órgãos de comunicação social portugueses notícias sobre o conflito na Ucrânia. Não obstante a guerra, também as temperaturas extremamente baixas e a falta de condições nas principais cidades destruídas ocasionam, muitas vezes, o êxodo das populações ou o risco de morte. Embora a população ucraniana esteja habituada e preparada para enfrentar aquelas temperaturas de inverno, é evidente que, neste momento, não podem contar com nenhuma fonte de calor dada a destruição e daí o grande risco de morte por hipotermia (baixa temperatura corporal menos de 35ºC).

Felizmente, entre nós, as temperaturas no inverno não atingem os mesmos valores do que em qualquer cidade ucraniana, contudo, há que proteger as nossas populações (nomeadamente, os mais velhos), porque sabemos dos perigos que envolvem as temperaturas baixas também no nosso país.

Sabemos que o tempo frio facilita as constipações e as gripes e daí a necessidade, nomeadamente, nas pessoas idosas e/ou com doenças de carácter autoimune, de fazer a vacina antigripal antes de chegar ao inverno.

Também é importante fazer sentir às pessoas mais velhas a importância do arejar da habitação, do lavar as mãos (em particular, antes da refeições) e do escarrar ou espirrar para um lenço de papel e depois eliminá-lo para que não seja fonte de contágio de doenças, nomeadamente, as do foro respiratório e infectocontagioso.

As habitações devem ser bem iluminadas, sem tapetes ou passadeiras, e o calçado deve ser quente e antiderrapante (o frio e a chuva ocasionam, nas casas escuras e mal arejadas, um piso extremamente escorregadio), a fim de diminuir a possibilidade de os idosos (muitas vezes, com dificuldade em andar e de se equilibrar) sofrerem quedas, que ocasionam, muitas vezes, fraturas dos ossos da anca, joelhos, coluna e cabeça, impedindo-os de levantar e podendo ser fatais caso vivam sozinhos.

A proteção do frio é essencial. Proteger do frio no ambiente onde se vive (deve estar entre 20ºC e 24ºC) com a utilização de um vestuário de acordo com as condições atmosféricas, como meias grossas, ceroulas, pijamas de flanela/lã, cachecol, luvas, gorro, casacos, etc., são importantes para evitar situações de hipotermia com o desenvolvimento de lesões a nível das extremidades (mãos e pés), do coração, fígado e vias urinárias.

Beber líquidos quentes é também fundamental. Nomeadamente nos idosos, torna-se, por vezes, difícil fazer com que bebam, pois não têm sede, mas ingerir líquidos é primordial para evitar a desidratação bem como melhorar o sistema urinário e imunitário.

Uma alimentação tem de ser adequada caso a caso, mas as sopas, vegetais, frutas e sumos naturais estão indicados na alimentação dos idosos, considerando sempre os consumos restritos de açúcar, gorduras (nomeadamente as saturadas) e a ingestão de álcool.

Por último, sabe-se que em Portugal, em 2021, houve diversos casos de incêndios e mortes por intoxicação por monóxido de carbono, daí a necessidade da verificação de segurança dos aquecedores a óleo/gás/elétricos, lareiras, salamandras e ainda dos cobertores elétricos, devendo ser totalmente desligados quando for hora de dormir.

A propósito das chamadas braseiras, estão totalmente proibidas, exceto em áreas com bastante circulação de ar, preferencialmente, ao ar livre.

Caso sinta tonturas, sonolência, náuseas, vómitos ou se sinta confuso/a, não hesite em ligar para os seguintes números gratuitos:

  • 112 – Número de Emergência
  • 217 95 01 43 – Intoxicações
  • 213 21 70 00 – GNR
  • 808 24 24 24 – SNS 24
  • 808 25 01 23 – Linha de Emergência de Intoxicações
  • 800 20 35 31 – Linha do Cidadão Idoso