Artigo de opinião de Lúcia Resende.

“Às vezes um obrigado não é suficiente… Nem sempre basta, mas muitas vezes chega… Para ser satisfatório e pleno, tem de ser vivido em gratidão. Se não o for, é apenas uma palavra jogada ao vento e ao descaso, por acaso.”

Dizer obrigada é um ato de educação, de respeito e de consideração para com os demais. É um ato de cortesia e gentileza, que fica bem. E, além de ficar bem, denota civismo e saber estar para com os outros. E, também, para connosco próprios. Porque nele, leva a apreciação e o reconhecimento do outro. E, sobretudo, o nosso reconhecimento, perante ele.

No entanto, a palavra obrigado parece que paga impostos, tal é a dificuldade, que se vê, em tanta gente a pronunciar… E ao contrário, do que se possa pensar, dizer obrigado não é uma questão de se subordinar ou inferiorizar. Como, em humilhação ou depreciação. Num diminuir ou menosprezar. Rebaixamento ou submissão. Não é uma subjugação, para os pobres e humildes. É para quem é, humildemente educado e sabe que, a riqueza dessa palavra, faz toda a diferença.

Dizer obrigada é o mero e tão exponente retribuir ao outro e pelo outro. É assim uma evidente recompensa verbal ou gestual, perante ele. Num corresponder tão simples e educado. Ciente do seu peso leve e sublime, mas tão importante e elevado, conteúdo expresso, na palavra obrigado. Num significado, indiscritível e impossível, tantas vezes de o definir. De expressar, o que ele pode trazer ou causar. Fazer e demonstrar. Sentir e interpretar. Numa troca de correspondência. Num validar ou recompensar.

E, sempre, deve o obrigado ser sentido. Denotar um valor e significado. Importância e estima. Nessa intencional delicadeza, perante algo que o outro nos fez ou faz. Nos dedicou ou dedica. Nos permite e satisfaz. Que em modo geral, não é senão a forma de lhe retribuir essa atuação ou situação, nesta palavra de carinho. De algo que nos apraz. Que nos traz bem. E, por tão bem, nos trazer, unicamente impõe a conduta, correta e merecida. Justa e devida, de o agradecer.

Porém, às vezes um obrigado não é suficiente… Nem sempre basta, mas muitas vezes chega… Para ser satisfatório e pleno, tem de ser vivido em gratidão. Se não o for, é apenas uma palavra jogada ao vento e ao descaso, por acaso. E só ao sabermos ser gratos, sabemos reconhecer o valor, do que nos rodeia. E quando o sabemos reconhecer, somos imensamente afortunados. Porque a gratidão é o projeto da alma e do coração, para se viver em paz… E quem é grato, sabe ser mais feliz…