Acordamos, mas nem todos acordam.

Há corpos em macas feridos que não conseguiram dobrar a esquina da noite e não chegaram a ver a luz do dia.

Há outros de peles já muito enrugadas e de pelos todos brancos que deram o último suspiro e se de despediram como puderam e dos que puderam antes de fecharem os olhos e de se entregarem à escuridão que, sem pressas, os guardava.

Acordamos, mas a luz não é para todos. Há quem permaneça no subsolo escondido das bombas que rebentam para marcar posições reclamando um direito que não existe. Esta nova guerra precisa de um nome. Ainda não o teve, porque ainda não chegou ao fim e ainda não se avaliaram as reais consequências. Fala-se de desnazificação quando os que desnazificam se comportam como verdadeiros nazis, arrasando cidades inteiras, obrigando milhões de vidas normais e neutras a sair de mãos lassas, deixando membros e a vida para trás.

Estamos no século XXI e os jornais reportam-nos os cenários mais negros na Europa. Vemos tanques de guerra, carros blindados e mísseis a dispar em direto. Vemos fábricas e pontes destruídas, solos esventrados, prédios em ruínas, corpos estendidos no chão como sacos do lixo. Para quem estuda, será fácil nomear as consequências das guerras com base no presente…Fala-se de corredores humanitários e vemos gerações a fugir com sacos nas mãos entre destroços, num mundo que pensavamos seguro e civilizado.

Reclamado o direito internacional urgente. Capacetes azuis a entrarem em solo soviético, conterem aquele que foi escolhido para liderar um povo e um país, mas que atua fora da sua área geográfica, sem humanidade. Com que soberania? Sem humanidade, não pode conduzir humanos. Um plano. Coragem. A História, ao analisar o passado, possibilita evitar a repetição de problemas e erros no presente.

Ana Pimenta