Artigo de opinião de João Palmeiro, presidente da direção da Associação Portuguesa de Imprensa

Há 40 anos, no dia 21 de janeiro de 1982, nascia o jornal “A Verdade”.

Na mesma década, em Portugal, vários governos declararam as empresas jornalísticas em “situação económica difícil”. A estrutura financeira destas empresas era muito frágil e os projetos tinham poucas hipóteses de sobrevivência. Alguns dos jornais deste período foram criados na sequência da Revolução, e no ciclo de crise tenderam a desaparecer, dado seu perfil editorial, vincadamente político.

Mas “A Verdade” sobreviveu!

Já nos anos 90, e para além do aparecimento de novos títulos, imprensa especializada e a liberalização do mercado televisivo, houve também a proliferação das rádios, sendo o espaço noticioso mais concorrencial, o que retirou público aos títulos nacionais tradicionais.

Com a chegada dos anos 2000 registou-se perda do volume de vendas, quebras na receita publicitária, o preço do papel e o aumento de custos com salários e pessoal, assistindo-se, assim, a mais um cenário de crise do setor.

Em 2020, abate-se sobre o mundo uma pandemia, colocando todos os setores de atividade em crise e, mais uma vez, a Imprensa também.

Mais uma vez, “A Verdade” sobrevive!

Em 2021 a Associação Portuguesa de Imprensa decidiu instituir e comemorar o Ano da Imprensa Regional, com o objetivo de chamar a atenção para a importância dos títulos locais e regionais, os mais frágeis de toda a imprensa, apesar de serem aqueles que estão mais próximos das pessoas e cobrirem a totalidade do país e não apenas as principais cidades portuguesas. O nosso lema foi, e continuará a ser, “Todos precisamos da Imprensa Regional”.

Nos últimos anos, a Imprensa Regional Portuguesa atravessou um período de procura de identidade em que jornais como o “A Verdade” tiveram um papel fundamental para a determinar.

Por ocasião dos 40 anos d’ “A Verdade”, não podemos deixar de continuar a apostar na imprensa regional como elemento de democratização da informação, elo de ligação entre aqueles que estão fora e as suas terras de origem, único meio de saber o que acontece localmente, porta privilegiada para o desenvolvimento económico e trocas empresariais e turísticas. É informação de proximidade que deve permanecer como tal, não deixando de inovar, de responder aos desafios e de enfrentar todas as restrições e dificuldades que surgem.

O jornal “A Verdade” foi dos primeiro a inovar com uma edição digital e que hoje estão reconhecidamente na vanguarda do desenvolvimento das edições digitais; recentemente integraram o grupo experimental do projeto Google Showcase em Portugal e em anos recentes participou em projetos financiados pelo Digital News Initiative, um deles em parceria com o Expresso e outro com o Público.

Por estas razões se reconhece que mais um aniversário de A Verdade é também ocasião para celebrar toda esta visão de integração no mercado digital.

Termino a desejar as maiores felicidades a todos os diretores, colaboradores, anunciantes e leitores do jornal “A Verdade”.