A Páscoa é uma altura do ano que habitualmente reúne a família à volta da mesa repleta de comida e, em particular, doces, mas também que celebra, para os cristãos, a ressurreição de Jesus Cristo.

António Ribeiro vem de uma família católica e, por sugestão de amigos, acabou por decidir andar no compasso. Começou por andar com uma campainha, “quando era miúdo”, e teve várias funções ao longo dos anos. Entretanto, quando D. Vitorino Soares assumiu a paróquia de Castelões de Cepêda, em Paredes, em 1994, foi convidado para ser o coordenador principal do compasso.

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São várias semanas de preparação para este dia e cerca de 200 pessoas para organizar, entre os membros da banda e os participantes no compasso. Saem seis cruzes para um lado e seis para outro. António Ribeiro é o primeiro a chegar, no dia de Páscoa, e o último a ir embora, sendo responsável por tratar das convocatórias, dos materiais, preparar as cruzes, fazer equipas, entre outras funções. “Já há um mês que não faço mais nada”, revela.

Aos 70 anos e coordenador do compasso desta paróquia há cerca de 25, admite que “é muito cansativo”, mas que ainda está, “graças a Deus, operacional” e tem “espírito jovem”. A nível físico, para acompanhar o ritmo desse dia acredita que ajudam as caminhadas que faz todos os dias de “uns quilómetros largos”. “Ao recolher, às 20h00, sentimos uma missão cumprida e com muito orgulho e muita satisfação”, disse, confessando que a saída compasso no fim da missa é a parte que mais o “emociona”.

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“Não passo uma Páscoa com a família já há tantos anos. Mas é com muito gosto e orgulho que faço isto”, sublinha, lembrando que tem conseguido estabelecer uma hora exata de saída da igreja e de partida de cada local. Também os dois filhos, bem como sobrinhos e amigos fazem parte deste compasso e ajudam a que tudo esteja bem organizado para o grande dia.

Quanto à participação das pessoas no compasso, afirma que não há razão de queixa. “Agora há muita juventude no compasso. Felizmente, não temos dificuldade nenhuma em arranjar”, garante, referindo que isso “é gratificante” e que até há “pessoas que ficam chateadas por não participar”.

Para este ano, o primeiro mais de acordo com a normalidade depois da pandemia, ainda “não vai haver o beijar da cruz, é uma vénia” e as regras são passar o menor tempo possível na casa das pessoas e com a máscara colocada. As expectativas são “que corra pelo melhor” e que “as pessoas vão aderir” e abrir a porta para a visita do compasso.