As imagens que chegam do conflito entre a Rússia e a Ucrânia transparecem o medo, tristeza e desespero sentidos por quem está no epicentro da discórdia. Famílias que se separam e bombas a explodir são cenários que se têm repetido nos últimos dias. Apesar do medo, há quem mantenha a esperança num bom desfecho para a Ucrânia e tente ajudar, mesmo de longe.

Anastasia Nastii tem 23 anos e vive em Penafiel. Nasceu na Ucrânia, assim como os pais, e veio para cá há duas décadas, mas tem toda a família naquele país. Nos últimos dias, tem passado “o dia inteiro no telefone” para saber novidades sobre os seus familiares que vivem em vários pontos da Ucrânia.

A vontade é permanecerem na Ucrânia. Um dos primos, que foi o único que ficou no centro de Kiev, disse-lhe que conseguiu entrar no supermercado pelas duas da tarde, estando desde as 10h00 à espera, mas só às 18h00 conseguiu sair e esteve até às 20h00 a distribuir comida e medicamentos em alguns pontos de recolha. A irmã e uma das suas avós, que viviam noutra zona de Kiev, conseguiram sair para uma zona mais segura, mas contou que tiveram de ir para a cave do apartamento porque “explodiram um dos aviões”.

A irmã estava “muito preocupada no primeiro dia”, mas Anastasia refere que o povo ucraniano “é muito tranquilo, as pessoas conseguem manter a calma”. “Estamos muito confiantes! Não vejo assim muito pânico, vejo medo, porque nunca se sabe o que pode acontecer. Apesar disso, acho que estamos todos controlados”, sublinhou.

“Se fosse para a Rússia vencer, invadir a Ucrânia, já tinha acontecido. A Rússia deu dois dias às tropas para eles invadirem estas regiões mais importantes e já estamos no quinto dia, ou seja, isto é um bom sinal. Temos esperança que isto não avance, porque, pelo que vemos, temos muitos voluntários para ir defender. Aqui em casa falamos sobre isso e achamos que a Ucrânia vai conseguir lidar bem com isto e agora a Europa também está a ajudar bastante”, defendeu. “Estamos muito confiantes”, continuou.

Quanto ao pedido formal para adesão da Ucrânia à União Europeia, assinado nesta segunda-feira, a jovem acredita que é “uma notícia muito boa”, principalmente para a sua família, que vai ter mais facilidades para se deslocar de um país para outro. “Vai ser um começo para a Ucrânia. É um país incrível! Claro que tem as suas falhas como os outros países, mas, desde que temos este novo presidente, o país cresceu bastante e eu acho que isto vai ajudar-nos imenso e vai fazer com que o país cresça ainda mais”, acrescentou.

Anastasia e os pais tiveram a ideia de ajudar como podem quem está a passar dificuldades devido a este conflito, então, juntaram dinheiro para enviar para o país, através de sites verificados, e fazem parte da organização de uma recolha de bens, na Rua do Bom Retiro, nº 43, loja B8, em Penafiel. “Na verdade, não estávamos à espera que corresse tão bem”, revelou, informando que o que têm mais recebido é roupa e que necessitam mais de fraldas, produtos de higiene para bebés e adultos e medicamentos.

“Esta recolha é algo muito importante para mim e para a minha família. Tenho lá família e, todos os dias, ficamos preocupados com o que pode acontecer e também há outras pessoas que estão cá e que têm família lá. Se estamos cá, não estamos a passar por isto, não conseguimos ajudar ninguém lá, podemos arranjar outras formas de ajuda e é o que estamos a fazer. Acho que aqui em Portugal está a correr muito bem. Acho que estamos a ser um povo muito unido. A Ucrânia está a dar um exemplo muito bom, de um povo muito unido, e estamos a seguir o exemplo deles, ou seja, estamos a ajudar das formas possíveis. Espero que isto acabe rápido e que toda a gente leve isto como uma aprendizagem”, concluiu.

Veja aqui quais são os pontos de recolha que existem em Penafiel.