Este domingo, dia 25 de setembro, assinala-se o Dia Mundial do Pulmão e o Jornal A VERDADE conversou com Ana Pinto, de Castelões, Penafiel, que vive há oito anos com metade de um pulmão transplantado “a sustentar” a respiração, mas garante que faz uma vida ‘normal’, dentro dos possíveis.

Foi há quase 30 anos que começou a ter episódios recorrentes de “muito cansaço e tosse”. “Ia ao médico, que me mandava fazer exames, tomar cortisona, mas não passava daí”, recorda, explicando que foi vista por vários médicos e chegou até a estar internada em Matosinhos e a ser seguida no Hospital de Joaquim Urbano, no Porto. Segundo Ana Pinto, não encontravam uma explicação para os seus sintomas e o tratamento passava pela cortisona.

Houve, entretanto, um dos exames que fez que lhe permitiu o diagnóstico, uma broncoscopia com biópsia, através da qual percebeu que “era alérgica às aves”, o que lhe causou, mais tarde, uma fibrose pulmonar. Em 2003, uma médica em Penafiel viu os seus exames e disse que estava “à espera de um transplante”. “Isso foi um choque para mim”, conta.

“Chegou a um ponto em que estava mesmo mal. Em 2013, tive um pneumotórax e isso foi muito grave. Estive 15 dias ou três semanas no hospital de Penafiel, fui transferida para Lisboa, onde eu já andava a ser seguida para transplante”, revela, referindo que ficou lá internada cerca de duas semanas, mas que estavam com receio de operá-la, porque “era um risco muito grande, até que resolveram o problema do pneumotórax” e, no ano seguinte, fez o transplante.

Um ano após o transplante

“Correu bem e ao mesmo tempo não correu. Correu bem porque estou cá, mas chegou a um ponto em que começou a correr muito mal, então, só coube metade do pulmão na minha caixa torácica. Estive internada um mês em coma induzido e comecei outra vez a melhorar e, graças a Deus, ando bem, dentro dos possíveis”, explica.

A partir daí, Ana Pinto vai regularmente a Lisboa, onde é acompanhada, sendo que, atualmente, apenas lá vai de três em três meses. “Está a correr bem”, já é algo que faz parte da sua “rotina” e acaba por já conhecer “melhor Lisboa do que o Porto”.

Tem um pulmão e meio, mas “o outro pulmão não funciona quase nada, só o transplantado é que está ali a sustentar”. “Ao que eu já passei, as dificuldades já não são quase nada, embora seja sempre uma respiração diferente de uma pessoa que não tenha nada, mas, graças a Deus, faço a minha vida diária, faço tudo o que tenho a fazer”, comenta.

Em termos de cuidados diários, um dos exemplos é com a alimentação, “não comer coisas de um dia para o outro, sempre comidas frescas, na altura, não podia comer coisas com ovo, mas agora sim”. Além disso, a máscara passou a ser um acessório obrigatório.

A família, conta, foi o seu “pilar”, especialmente a filha, a irmã e a cunhada. Até mesmo durante a pandemia, em que era considerada doente de risco e foi a única em casa a não ter COVID-19, era a filha ou a irmã que lhe traziam o que precisava.