Foi com a obra “Consequência” que Maria Files, de Amarante, conquistou o primeiro prémio na XI Bienal de Artes Plásticas de Santa Catarina, em Leiria, e é através desse trabalho e de tantos outros que pretende valorizar “o poder que a mulher tem”, entre muitos outros temas para os quais quer chamar à atenção.

Este é um dos primeiros concursos no qual participa na sua carreira de artista e garante que já ficou “super feliz” quando soube que tinha sido aceite. Quando ouviu o seu nome como a vencedora do primeiro prémio na classe “Artista Aluno”: “Fiquei sem palavras porque foi uma coisa que não estava nada à espera porque foram os meus primeiros concursos”.

A “Consequência” faz par com outra tela que pintou, a “Causa”, com o objetivo de “simbolizar o homem e a mulher” e porque as reações (consequência) têm todas uma causa. “Gosto imenso de trabalhar a mulher e o que ela simboliza, o que significa, porque muita gente não acredita no poder que a mulher tem e o que nós sofremos e o que passamos e eu tentei passar isso para a tela. No centro, é a mulher a ser completamente destruída com a dor e sofrimento que passa por comentários que lhe atiram no meio da rua e por várias coisas. Baseei-me muito nisso, porque é algo que me chama a atenção e mesmo a mim também acontece e eu quis passar isso para a tela para chamar a atenção das pessoas e verem a realidade que há no mundo”, descreve.

Esta foi também a primeira tela que pintou e usou tinta acrílica, num trabalho que demorou cerca de um mês a ser elaborado. “Tento sempre transmitir alguma imagem ou da mulher ou do que se passa no mundo, sempre temas tabu, temas que a sociedade não gostava muito de abordar”, explicou.

Maria Files tem 17 anos e está no 12.º ano, na Escola Secundária de Amarante. Frequenta a Academia Gatilho e foi lá que a incentivaram “imenso a participar em concursos e exposições”. O próximo é a Bienal Internacional de Arte Jovem.

“Sempre tive um gosto enorme pelas artes, principalmente porque a minha madrinha, a minha mãe e o meu avô adoravam o mundo das artes e, desde pequenina, sempre me incentivaram imenso a pintar, a desenhar… Participei num atelier para crianças… Sempre tive um gosto enorme e, em parte, também era o meu refúgio. Refugiava-me imenso nas artes. Passava os intervalos a desenhar, tinha sempre os meus diários gráficos”, conta. A área que queria seguir profissionalmente já não era difícil de adivinhar.

No futuro, a jovem ambiciona ser arquiteta e “chamar à atenção das pessoas para a arte”. “As pessoas acham que são só rabiscos. Eu não acredito nisso. A arte é algo mais. Através da arte, conseguimos chamar à atenção para imensas coisas, por exemplo, o que está a acontecer agora nos Estados Unidos sobre o aborto. Eu tenho um trabalho sobre isso, para chamar à atenção das coisas que podemos fazer”, indica.

Um dos temas que mais gosta de trabalhar e que pretende “trabalhar mais no futuro é o bullying”: “Parece-me um tema, que, apesar de ser falado, as pessoas não ligam e acham que é uma coisa normal de crianças e eu acho que isso é errado porque não é uma coisa normal de crianças e nós temos de chamar a atenção porque alguém tem de fazer alguma coisa e eu quero fazer isso através da minha arte”.

“A arte e os jovens está cada vez a crescer mais e eu acho isso muito bom. Muitos adultos dizem «Vais para Artes, não vais ter futuro». Estou cada vez mais a pensar que isso é mentira. Vou ter um futuro se fizer o que eu gosto. É algo que me faz imensamente feliz ver que as pessoas estão cada vez a acreditar mais no mundo das artes, a dar-nos mais oportunidades”, sublinha.