Nasceu em Angola, mas com 47 anos e um início de uma guerra civil decidiu emigrar para Portugal. Foi no concelho de Amarante que se fixou e onde começou o projeto da caravela. “Já lá vão muitos anos. Era tudo de plástico, eram uns barquinhos pequenos que construía em apenas uma hora”.

De pequenos barquinhos passou para uma caravela grande no tamanho e no tempo que demorou a finalizar. “Comecei a fazê-la ainda a minha esposa era viva e faleceu há 11 anos. Veja o tempo que esta caravela levou a fazer”, diz o Sr. José Dias, como é carinhosamente chamado. 

Há um ano entrou na Casa da Boavista, Residência Sénior e ao longo deste período terminou a construção do projeto, “que se tornou uma excelente forma de aproveitar o tempo e manter-me ativo. Quando a minha esposa faleceu, a caravela ficou encostada num canto. Só quando vim para o lar disse ‘eu estava a fazer uma caravela’ e disseram-me ‘então traga’”, recorda.

Foi então que o Senhor Dias pôs mãos à obra. “Tinha tempo de sobra para trabalhar na caravela e passado um ano a caravela estava perfeita”.

Como forma de agradecimento e carinho que tem pela Casa da Boavista, Residência Sénior, decidiu oferecer a caravela à instituição, que a colocou em exposição nas instalações.

A paixão pela construção de barcos e aviões em madeira já vinha do seu pai que “era um engenhocas. Ele fez uma caravela. Na altura não havia peças feitas, então ele escolheu um tronco de uma árvore, desbastou-o e foi assim que a construiu”. Já os filhos de José Dias, “apreciam, mas não ligam muito a isto”, confidencia.

Aos 92 anos, “já custa muito fazer isto, porque leva muito tempo”, mas José Dias já tem outro projeto de uma caravela em mãos. “Acabei a outra em julho e agora estou a fazer outra”, conta.

Confessa que gosta de fazer os trabalhos sozinho, mas conta com o “apoio moral dos colegas. Isso é importante. Nos momentos em que fico mais triste, dizem-me sempre umas palavrinhas, como ‘tens de ir para a frente’. Isso vai me ajudando“.