No último mês, chegaram a Portugal e em concreto à região várias famílias de ucranianos que procuram uma vida melhor e longe da guerra, face ao conflito que se instalou no seu país devido à invasão da Rússia em fevereiro. Apesar da saudade da sua terra natal e dos que lá ficaram, a adaptação das crianças e jovens no Agrupamento de Escolas de Vale de Ovil, em Baião, tem corrido “muito bem”.

Mira está no nono ano e é uma dessas jovens que chegou a este agrupamento no início do mês de março. Veio com a mãe, a tia e os primos mais pequenos, que também frequentam as escolas deste agrupamento. Conta que já fez muitos amigos na escola e também na academia de dança e é o elo de comunicação com os familiares, uma vez que fala fluentemente inglês.

“Eu gosto muito de Baião porque é muito bonito e as pessoas são muito boas, simpáticas e ajudam-nos muito e eu fiz muitos amigos aqui. Eu espero poder ir para casa, mas acho que isso não vai ser possível, por isso, espero fazer muitos amigos aqui”, conta ao Jornal A VERDADE, referindo que a mãe já conseguiu arranjar emprego, mas a tia ainda não porque tem de ficar a cuidar dos filhos ainda pequenos.

A integração desta jovem com os colegas tem sido “muito boa”, explica a professora de Inglês, Helena Cardoso, afirmando que ela “fez logo amizades”, até mesmo com alunos de outros anos de escolaridade e do projeto Erasmus +. “Todos eles são bons em inglês e conseguem falar bem, comunicar bem e, como tiveram algumas atividades no âmbito desse clube – inclusive recebemos cá na semana passada um grupo de 21 meninos finlandeses e todos faziam atividades conjuntamente, ela participou em muitas dessas atividades -, foi uma forma de ela realmente se integrar e de se sentir parte da escola”, lembra, acrescentando que já é habitual a escola ter projetos com alunos de outros países.

Quanto aos meninos mais novos, estão “contentes” e também se têm “integrado muito bem, mesmo não falando inglês”. “Acho que vai correr tudo muito bem, porque os miúdos aqui são extremamente simpáticos, gostam muito de tê-los aqui. Receberam-nos com muito carinho, muita ânsia de saber sobre eles. Esperemos que esta guerra termine rápido para que ela possa voltar para o país dela, que, no fundo, é aquilo que eles todos querem, mas, enquanto cá está, eu acho que ela [Mira] tem todas as condições para ser um bocadinho feliz, dentro das possibilidades”, continua.

O diretor do Agrupamento de Escolas de Vale de Ovil, Carlos Carvalho, explica que, no total, são três crianças, uma no primeiro ciclo, outra no pré-escolar e a mais velha está na escola sede no nono ano. Têm um professor de Português – Língua não materna e conjugam os horários das aulas presenciais com as aulas online que ainda continuam a ter a partir da Ucrânia, além de participarem em diversas atividades para ajudar na integração.

“Está a correr bem. Sentem-se felizes, pelo menos, é o feedback que nos chega dos pais”, conclui.