Homem acusado de ter matado a mulher à porta de uma fábrica de calçado no concelho de Felgueiras vai começar a ser julgado no dia 10 de fevereiro, no Tribunal de Penafiel. A informação foi divulgada na segunda-feira, 23 de janeiro, pelo Ministério Público, através da Procuradoria-Geral Distrital do Porto.

Os dados do crime remontam ao dia 6 de junho, quando “por volta das 07:50” o arguido se dirigiu ao local de trabalho da esposa, em Felgueiras. “Quando a companheira chega ao local é logo abordada pelo marido munido de uma espingarda, este deu-lhe a ordem de sair do carro da sua irmã. A vítima cedeu (…). Já no exterior do veículo automóvel, e quando se encontrava a cerca de 1 ou 2 metros, o arguido efetuou um disparo na direção da esposa que a atingiu na zona mamária do lado esquerdo, que a fez cair ao chão, e encontrando-se a ofendida no chão o arguido efetuou um segundo disparo que a atingiu na zona abdominal, provocando-lhe a morte face à gravidade das lesões causadas pelos disparos”, pode ler-se no comunicado.

O Ministério Público considerou “suficientemente indiciado” que o relacionamento do arguido e da vítima “fora sempre marcado pelo domínio daquele, que controlava os movimentos da esposa, sendo o arguido uma pessoa ciumenta, chegando mesmo, em algumas ocasiões, a exibir-lhe uma arma de fogo, com o intuito de ameaçar e aterrorizar a esposa”.

Na mesma nota, o Ministério Público ressalva que “considerou suficientemente indiciado que, no dia 4 de junho de 2022, no interior da residência do casal, gerou-se uma discussão entre o casal, tendo o arguido agarrado e empurrado a esposa, apertado o pescoço e empunhado uma faca com cerca de 35/40cm de comprimento na direção da esposa”.

De seguida, o arguido “muniu-se de uma espingarda com dois canos sobrepostos ao mesmo tempo que dizia que matava a esposa, sendo impedido de continuar com a conduta agressiva por familiares que ali se encontram presentes. No dia seguinte, inconformado com a traição da esposa, o arguido formulou o propósito de lhe tirar a vida, recuperando para o efeito a espingarda que no dia anterior havia entregue à filha”, acrescenta.

A residir em Lousada, o arguido e a vítima casaram em fevereiro de 1997 e têm uma filha, atualmente, maior de idade.

O arguido continua a aguardar os ulteriores termos do processo sujeito à medida de coação de prisão preventiva. Vai ser julgado pela prática de um crime de homicídio qualificado agravado e de um crime de detenção de arma proibida.