António Joaquim Oliveira, residente em Bitarães, Paredes, é um desses rostos. Antigo furriel miliciano dos "Rangers" e atual presidente da Delegação do Vale do Sousa da Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra, relata-nos uma vida dividida entre o inferno das emboscadas em Angola, os traumas silenciosos do regresso e a mágoa profunda perante um país e um poder político que, lamenta, "não querem saber do sacrifício para nada".
A História de um país não se escreve apenas nos tratados de paz ou nos gabinetes ministeriais; escreve-se no suor, no sangue e na memória daqueles que marcharam para a frente de batalha. O 9 de abril é, por excelência, o dia dessa memória. Contudo, nas ruas, a data passa muitas vezes despercebida. "Não ligam nada a isso", atira, sem rodeios, António Joaquim Oliveira. Aos 84 anos, a lucidez e a retidão com que fala são as mesmas que o guiaram nas matas de Angola há mais de meio século.
Hoje, no dia em que o Estado evoca a efeméride e assinala o 108.º aniversário de La Lys nas cerimónias oficiais no Mosteiro da Batalha, onde a sua delegação do Vale do Sousa marcou presença, o antigo combatente e comerciante automóvel aposentado abre-nos as portas do passado.

