Como é o caso de muitos jovens, a porta de entrada de Rui para o mundo tecnológico foram os jogos. "Desde a adolescência que desenvolvi um grande interesse pela informática. Sempre gostei de jogar e, com o tempo, comecei a ficar curioso sobre como um computador processa informação e como os programas eram construídos", recorda.
Para Rui Gomes, a transição para a cibersegurança foi "uma evolução natural do meu interesse pela tecnologia". O que começou como curiosidade juvenil transformou-se numa "verdadeira motivação profissional, porque combina aquilo que sempre gostei, perceber como tudo funciona, com o desafio de proteger sistemas e resolver problemas complexos".
Da Formação à Prática
Para consolidar essa paixão, Rui procurou formação especializada. O seu ingresso na área deu-se através do ensino superior, num curso que lhe deu “uma base sólida, tanto a nível teórico como prático".
No entanto, o jovem de Várzea do Douro sublinha que o diploma é apenas uma das ferramentas. Para quem aspira a seguir este caminho, o profissional deixa um conselho claro: "O mais importante é ter gosto pela tecnologia e interesse genuíno pela segurança informática".
Embora a formação académica seja um pilar, o cibersegurança destaca que existem vários caminhos, desde cursos técnicos e certificações até "projetos pessoais que permitam aprender e ganhar experiência". O segredo, segundo ele, reside em "ter curiosidade, vontade de aprender continuamente e motivação para resolver problemas".
O Guardião Invisível
Mas o que faz, afinal, um profissional de cibersegurança? A percepção pública tende a ser redutora. "Muitas pessoas associam cibersegurança apenas à proteção de dados, mas vai muito além disso", esclarece o jovem especialista.
O seu trabalho envolve três pilares fundamentais: a disponibilidade dos serviços, a integridade da informação e a segurança de toda a infraestrutura.
No seu dia a dia, o foco está na antecipação. "Foco-me em identificar vulnerabilidades, implementar medidas de proteção e garantir que os sistemas e redes dos meus clientes se mantêm seguros e atualizados". Rui descreve o seu papel quase como o de um sentinela digital, cujo objetivo é "antecipar riscos, prevenir ataques e assegurar que tudo funciona de forma segura e confiável".
Apesar da importância crítica desta função, Rui admite que o reconhecimento público ainda é ténue. "Muitas pessoas não têm uma noção clara do que fazemos", confessa, notando que o público muitas vezes só percebe a relevância da profissão "quando ocorrem ataques ou fugas de dados".
Contudo, o impacto no quotidiano é real: "Ao manter sistemas seguros, permitimos que utilizem serviços digitais com confiança, sem preocupações com fraudes, roubo de dados ou interrupções".
Um Mundo de Ameaças (e Soluções)
Rui Gomes lida diariamente com um ecossistema de ameaças variado. O especialista elenca os perigos mais comuns: desde o Malware e o temido Ransomware (que encripta ficheiros exigindo resgate), passando pelo Phishing e engenharia social, até ataques DDoS que derrubam servidores.
"A maioria das pessoas não percebe de ameaças cibernéticas", alerta, defendendo veementemente que "devíamos informar mais o público sobre os riscos cibernéticos". Para Rui, a literacia digital é a primeira linha de defesa.
E como nos podemos proteger? As recomendações de Rui são pragmáticas:
1. Atualização Constante: "Manter o software e sistemas operativos atualizados".
2. Ferramentas de Defesa: Utilizar antivírus e firewalls.
3. Autenticação Robusta: "Usar palavras-passe fortes combinadas com autenticação multifator".
4. Cópias de Segurança: Fazer backups regulares.
5. Atenção Humana: Estar atento a tentativas de engenharia social.
"No conjunto, estas medidas reduzem significativamente o risco de ataques", garante.
Uma Carreira de Paixão
No final do dia, o que move Rui Gomes é o gosto pelo que faz. "Gosto muito do meu trabalho, é uma área desafiante, dinâmica e em constante evolução", diz com entusiasmo.
Para os jovens da região que ponderam o seu futuro, Rui deixa a recomendação: "Recomendaria a alguém seguir esta carreira se gostar de tecnologia, tiver curiosidade e interesse em proteger sistemas e informação". Para ele, ser cibersegurança é mais do que um emprego; é ajudar a criar "um ambiente digital mais seguro e fiável" para todos nós.
