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Penafiel
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Penafiel: Ponto C destaca memórias do trabalho invisível com produções da companhia Astro Fingido

O Ponto C, em Penafiel, recebe o Ciclo da Invisibilidade da Astro Fingido, com espetáculos que recordam o labor braçal e infantil na indústria do mobiliário nortenho.

Redação

O espaço Ponto C – Cultura e Criatividade, em Penafiel, preparou uma programação especial para assinalar o Dia do Trabalhador, focada na memória e na reflexão social. Através das produções "Moço da Cola" e "Mulheres Móveis", da companhia de teatro Astro Fingido, o equipamento cultural dedica um fim de semana à urgência de olhar para aquilo que tantas vezes permanece escondido na história laboral da região.

Integradas no Ciclo da Invisibilidade, estas criações propõem uma aproximação sensível ao labor físico em contextos de vulnerabilidade, evocando o trabalho braçal na indústria do mobiliário em Paredes, a partir da recolha local de testemunhos. Segundo a organização, o objetivo é revisitar histórias que não nos deixam esquecer as condições laborais vividas durante o período do Estado Novo.

O drama dos Moços da Cola e a exploração infantil

O primeiro espetáculo a subir ao palco é "Moço da Cola", agendado para o dia 30 de abril, às 21h30. A narrativa parte de uma realidade local para retratar as transformações ocorridas no terceiro quartel do século XX, focando-se na vida de crianças que abandonavam a escola prematuramente para trabalhar nas oficinas de mobiliário.

Estes aprendizes, que contribuíam para o sustento familiar, absorviam as experiências e histórias de vida dos seus mestres num quotidiano duro. A partir do olhar de uma criança, esta peça revela não só as condições de trabalho, mas também um ambiente doméstico pautado pela violência e pelo alcoolismo, expondo feridas sociais que marcaram gerações no Vale do Sousa.

Homenagem às carreteiras em Mulheres Móveis

No dia 3 de maio, às 17h00, o Ponto C apresenta "Mulheres Móveis", uma viagem visual e musical que homenageia as carreteiras. Estas mulheres eram responsáveis pelo transporte de móveis pesados à cabeça, uma imagem marcante de um tempo de miséria e trabalho duro, sem recompensa, muitas vezes amenizado apenas pela poesia e pela resiliência feminina.

A peça destaca figuras como Maria, Letinha, Justa e Sãozinha, as últimas testemunhas de uma época em que, como refere o autor Tonino Guerra, a pobreza ajuda à fantasia, na pobreza vive-se sob uma chuva de desejos suspensos. O espetáculo serve como um documento vivo de uma profissão hoje desaparecida, mas que foi essencial para o desenvolvimento da economia local.

Detalhes das apresentações e bilheteira no Ponto C

Para facilitar o acesso da comunidade a estas duas obras de reflexão histórica, o Ponto C – Cultura e Criatividade estabeleceu que um bilhete único dá acesso a ambos os espetáculos. Esta é uma oportunidade para o público de Penafiel, ou mesmo para o visitante marcoense que se desloca à cidade vizinha, de participar num momento de celebração do Dia do Trabalhador que vai além da festa, focando-se na dignidade humana.

"Moço da Cola" tem uma duração de 70 minutos e classificação etária de M/14 anos, enquanto "Mulheres Móveis" dura 80 minutos e é destinado a maiores de seis anos. A Astro Fingido, ao apresentar estas criações, reforça o convite para não apenas revisitar o passado, mas também refletir sobre o futuro que ambicionamos construir enquanto sociedade.