Há profissionais que passam por uma escola e outros que se tornam parte da sua identidade. É o caso de Maria do Céu Brandão Madureira, conhecida por gerações de alunos como “Professora Céu”, que se prepara para encerrar um percurso de 46 anos dedicado à educação de infância no Jardim de Infância Quinta do Casal.
A despedida é vivida com emoção. Ao recordar a carreira, a educadora destaca a felicidade que sempre encontrou no exercício da profissão. “Nunca tive um dia em que me custasse vir trabalhar. Entrava sempre nesta escola com alegria”, recorda. Curiosamente, a educação não fazia parte dos seus planos iniciais. O sonho de juventude passava pelas Belas-Artes, mas uma inscrição quase casual no cur so de educadoras de infância acabaria por definir todo o seu futuro. Hoje, não tem dúvidas sobre a escolha feita. “Se voltasse atrás, escolheria exatamente o mesmo caminho.” Ao longo de quase meio século de atividade, acompanhou milhares de crianças, ajudando-as a crescer nos primeiros anos de vida. Mais do que resultados académicos, valoriza as memórias construídas diariamente através dos pequenos gestos de carinho, dos abraços espontâneos e das demonstrações de afeto que permanecem na memória.
Entre as muitas recordações, guarda com especial carinho a de uma criança que lhe ofereceu uma rosa branca no Dia da Mãe, um gesto simples que continua a recordar com emoção.
A educadora sempre defendeu uma visão da escola centrada no desenvolvimento integral da criança. Considera que a educação pré-escolar deve privilegiar a construção da personalidade, da autonomia e da felicidade, respeitando
o ritmo individual de cada criança.“A parte emocional é a base detudo”, sublinha, defendendo igualmente a importância do contacto com a natureza, da criatividade, da música, da arte e da brincadeira no processo educativo.
