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Marco de Canaveses
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Morreu Albert Coutinho, filho de Marco de Canaveses que foi alma da Portugalidade em Newark

O ex-deputado estadual de New Jersey faleceu este domingo em Newark, vítima de um violento acidente de viação. Tinha 56 anos.

Redação

A comunidade portuguesa dos Estados Unidos da América acordou este domingo de luto. Albert Coutinho, figura incontornável da diáspora portuguesa em New Jersey e filho de uma família marcoense que tanto fez pela Portugalidade em Newark, morreu esta manhã na sequência de um violento acidente de viação. Tinha 56 anos.

Uma história que começa em Marco de Canaveses

Para perceber quem foi Albert Coutinho, é preciso recuar no tempo e cruzar o Atlântico. O seu pai, Bernardino Coutinho, nasceu em Marco de Canaveses em 1937. Apaixonado pela música e pelo teatro desde jovem, frequentou a Escola de Comércio do Porto e foi em Feira Nova que conheceu Maria Teixeira - a D. Mariazinha - enquanto trabalhava como contabilista na padaria do pai dela. Casaram a 27 de março de 1966, e menos de um ano depois, no dia 14 de janeiro de 1967, partiram para os Estados Unidos da América.

Levavam dois bilhetes de avião, uma mala e apenas 100 dólares no bolso. Chegaram a Newark, New Jersey, sem olhar para trás. Maria estava grávida quando pôs os pés em solo americano. Era essa a coragem - e essa a fé — da família Coutinho.

Albert nasceu em junho de 1969, o segundo de três filhos. A irmã Helena viera ao mundo em maio de 1967, e o irmão mais novo, Billy, em agosto de 1972. Para sustentar a família nos primeiros anos, Bernardino trabalhou numa padaria em East Orange durante cinco anos, até conseguir a sua situação regularizada. O sonho de ter o seu próprio negócio concretizou-se a 14 de janeiro de 1973, data em que abriu a primeira Coutinho's Bakery na Chestnut Street. A padaria tornou-se um símbolo da comunidade portuguesa de Newark - um ponto de encontro, um cheiro a casa, um pedaço de Portugal no coração do Ironbound.

O filho que perpetuou a obra do pai

Albert Coutinho foi filho de Mariazinha e do saudoso Bernardino Coutinho, fundador e organizador do Dia de Portugal em Newark. Cresceu a ver o pai construir pontes entre a comunidade imigrante e a cidade que os acolhera, e fez dessa herança o fio condutor da sua própria vida. Durante décadas, as celebrações do Dia de Portugal em Newark foram um momento de reafirmação coletiva da identidade lusitana - e os Coutinho estiveram sempre lá, na primeira fila, a garantir que a bandeira portuguesa ondulava com orgulho em solo americano.

Albert Coutinho foi sempre um defensor orgulhoso da cultura e dos valores da comunidade portuguesa nos Estados Unidos. Conhecia, por dentro, o que significa deixar a terra natal, reconstruir uma vida do zero e manter viva a memória de quem se é - porque essa foi a história da sua própria família.

Uma carreira política ao serviço da comunidade

O percurso de Albert Coutinho não se ficou pelo associativismo. Eleito para a Assembleia Geral de New Jersey em 2007, foi uma referência reconhecida na área da economia, do orçamento e do desenvolvimento urbano. Representou o 29.º Distrito Legislativo, tornando-se uma voz importante para os portugueses e luso-descendentes daquele estado. A sua nomeação para a Legislatura de New Jersey em 1997 tornou-o o primeiro luso-americano a servir naquele parlamento estadual. Um marco histórico que ficará para sempre associado ao nome de uma família de Marco de Canaveses.

Além da sua ação política, Albert foi um homem de família em primeiro lugar, devotado ao irmão Billy, e um amigo para todos os que precisaram dele. Amou Newark, o bairro do East Ward, e desempenhou um papel determinante no desenvolvimento do futebol juvenil na cidade.

O acidente que ceifou uma vida

Este domingo, 29 de março de 2026, a tragédia bateu à porta da família Coutinho. Pouco antes das 7h30, na Route 21, próximo da South Street, em Newark, diversas chamadas ao 911 reportaram uma violenta colisão entre dois veículos, um dos quais se incendiou após o impacto. O condutor do veículo em chamas foi identificado como Alberto "Al" Coutinho.

Transportado de urgência para o Hospital Universitário com manobras de reanimação cardiopulmonar em curso, Albert Coutinho acabou por ser declarado morto pouco depois da chegada. Pelo menos uma outra pessoa sofreu ferimentos ligeiros. O acidente continua sob investigação do Ministério Público do Condado de Essex.

Como noticiou o Jornal Contacto - publicação da comunidade portuguesa de New Jersey, a trágica notícia foi confirmada por familiares e por fontes próximas da comunidade, deixando Newark e toda a diáspora portuguesa de luto profundo.

Uma saudade que atravessa o Atlântico

A morte de Albert Coutinho é sentida tanto em Newark como em Marco de Canaveses. Porque a história dos Coutinho é, antes de tudo, uma história marcoense. De gente que partiu com coragem, que construiu com dignidade e que nunca esqueceu de onde vinha.

Albert Coutinho foi o líder do Ironbound, um espírito generoso e vital, que permaneceu sempre presente na vida política e cultural da sua cidade e que foi amigo de todos os que precisaram dele.

Fica a saudade. Fica a obra. Fica o exemplo.

O Jornal A VERDADE endereça à família Coutinho os seus mais sentidos pêsames.