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Sociedade
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Ordem dos Médicos exige apuramento urgente de mortes em lista de espera para cirurgia cardíaca

A Ordem dos Médicos (OM) exigiu às autoridades de Saúde uma investigação "com caráter de absoluta urgência" aos relatos de doentes que terão morrido enquanto aguardavam por uma cirurgia cardíaca. O bastonário Carlos Cortes espera que a tutela apure a situação e tome medidas imediatas para resolver o problema.

Redação

O caso ganhou dimensão pública na quinta-feira, após uma entrevista à RTP do diretor de serviço de Cardiologia da Unidade Local de Saúde (ULS) de Santo António. De acordo com a Lusa, o médico André Luz revelou que, só nos últimos três anos, mais de 10 doentes morreram naquela unidade do Porto devido a uma "lista de espera demasiado elevada".

Face a estas declarações, a Ordem dos Médicos enviou um ofício à Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS) a exigir um apuramento "rigoroso e transparente" de todos os factos. O comunicado da entidade, citado pela Lusa, exige a clarificação de vários pontos:

  • A identificação do número exato de mortes ocorridas em lista de espera;

  • A caracterização clínica dos casos;

  • Os tempos médios e máximos de espera;

  • As condições organizativas que possam ter contribuído para estes desfechos.

A OM adverte que, a confirmarem-se, estes factos representam "uma falha grave na resposta assistencial", colocando em causa a equidade e a segurança dos cuidados. A organização critica a atuação da DE-SNS, classificando-a como "manifestamente insuficiente", e responsabiliza o Ministério da Saúde pela tutela efetiva.

Hospitais do Norte unem-se em carta à ministra

De acordo com a Lusa, que cita uma notícia do Diário de Notícias, as declarações do médico surgiram no mesmo dia em que quatro hospitais da região Norte subscreveram uma missiva dirigida à ministra da Saúde. O documento alerta precisamente para a lista de espera de doentes com problemas cardíacos a necessitar de cirurgia ou da implantação de válvula aórtica.

A carta foi assinada pelos serviços de cardiologia das seguintes unidades:

  • ULS Santo António (Porto);

  • ULS Tâmega e Sousa;

  • ULS Trás-os-Montes e Alto Douro (Vila Real);

  • Hospital Pedro Hispano (Matosinhos).

Atualmente, os doentes que necessitam destas intervenções são referenciados para centros específicos na ULS São João (Porto), na ULS de Vila Nova de Gaia/Espinho e na recém-aberta estrutura da ULS Braga (a funcionar a 20% da capacidade). A ULS Santo António, no entanto, tem a ambição de criar o seu próprio centro de referência nesta área.

Falta de médicos e constrangimentos do Orçamento

No seu comunicado, a Ordem dos Médicos recordou que a escassez de médicos especialistas em cirurgia cardíaca é um problema conhecido. A entidade alertou ainda para o impacto dos "constrangimentos orçamentais que infelizmente o Orçamento de Estado de 2026 está a impor".

Até ao momento, e segundo a Lusa, o conselho de administração da ULS Santo António escusou-se a fazer comentários sobre a situação. A agência noticiosa revelou também ter solicitado esclarecimentos ao Ministério da Saúde e à DE-SNS, encontrando-se a aguardar resposta.