O estudo, que analisou dados de 123 países e contou com a participação de 2,2 milhões de pessoas, revela que Portugal mantém um nível de proficiência "muito elevado".
Numa escala de 800 pontos, Portugal obteve uma pontuação de 612 valores, situando-se confortavelmente acima da média mundial de 488 pontos. O ranking é liderado pela Holanda (1.º lugar com 624 pontos), seguida pela Croácia, Áustria, Alemanha e Noruega.
Leitura é o ponto forte, oralidade o maior desafio
A análise detalhada das competências mostra uma discrepância significativa entre a compreensão e a expressão oral. A leitura foi a competência onde os portugueses obtiveram melhor desempenho, com uma pontuação de 632.
Em contrapartida, a expressão oral continua a ser o maior desafio, não só em Portugal como em mais de metade dos países avaliados. No caso português, a avaliação na oralidade ficou 130 pontos abaixo da nota obtida na leitura.
Coimbra lidera a nível nacional
Geograficamente, o domínio do inglês é mais forte nas regiões do Centro e Norte do país. Coimbra, Braga, Aveiro e Viseu destacam-se como os distritos com melhores resultados.
A nível de cidades, Coimbra lidera o tabela nacional com 639 pontos, seguida de Guimarães e Aveiro. No extremo oposto, os distritos de Bragança e Viana do Castelo registaram médias abaixo dos 600 pontos, sendo Setúbal a cidade com a classificação mais baixa (596 pontos).
Jovens, alunos e professores no topo
O estudo indica que as gerações mais novas, especificamente os jovens entre os 18 e os 20 anos, são os que apresentam melhor domínio da língua, verificando-se uma descida nas notas à medida que a idade dos inquiridos avança.
Em termos profissionais, os alunos e os professores foram quem obteve os melhores resultados, com médias a rondar os 650 pontos, seguidos pelos profissionais das áreas jurídicas e das Tecnologias de Informação. Relativamente ao género, as diferenças estão cada vez mais esbatidas, embora os homens apresentem uma ligeira vantagem.
O impacto da Inteligência Artificial
Constança Oliveira e Sousa, responsável da EF em Portugal, comentou os resultados à luz das novas tecnologias, alertando para o impacto das ferramentas de tradução baseadas em inteligência artificial (IA). “Estas ferramentas permitem traduções instantâneas, o que pode diminuir a motivação para aprender uma língua desde o início”, defendeu.
No entanto, a responsável reconheceu também o potencial positivo da IA, que pode criar "novas oportunidades para aprender línguas, nomeadamente através de exercícios personalizados e acessíveis a qualquer hora do dia".
