A escalada internacional, agravada pelo encerramento do Estreito de Ormuz, ameaça agravar ainda mais a fatura dos condutores portugueses, apesar da nova descida do ISP.
A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) indica que o preço eficiente do gasóleo simples já quebrou a barreira dos dois euros por litro para esta semana.
A escalada internacional, agravada pelo encerramento do Estreito de Ormuz, ameaça agravar ainda mais a fatura dos condutores portugueses, apesar da nova descida do ISP.
Os portugueses que se desloquem às bombas de combustível esta semana vão continuar a sentir o peso da volatilidade dos mercados internacionais. Segundo o mais recente relatório da ERSE, válido para a semana de 16 a 22 de março, o "preço eficiente" (um valor de referência calculado pelo regulador) fixou-se nos 2,044 euros/litro para o gasóleo simples e nos 1,929 euros/litro para a gasolina simples 95.
Estes valores representam uma atualização semanal expressiva: mais 4,6% no gasóleo e mais 4,3% na gasolina.
O preço eficiente é calculado pela ERSE somando as cotações internacionais, custos logísticos, margens de retalho e impostos. Serve como "bússola" para avaliar se os postos estão a cobrar valores justos face aos custos reais. (Antes de impostos, este valor base situa-se nos 1,177€ para o gasóleo e 0,938€ para a gasolina).
Felizmente, a média dos preços de venda ao público efetivamente praticados (dados da DGEG) ainda está abaixo da estimativa máxima do regulador:
Gasóleo simples: O preço real médio ronda os 1,834 €/litro (está 7,1 cêntimos abaixo do preço eficiente).
Gasolina 95: O preço real médio ronda os 1,778 €/litro (está 3,1 cêntimos abaixo do preço eficiente).
No entanto, o regulador avisa que esta diferença indica que ainda há margem para futuros aumentos nas bombas.
A forte tendência de subida — que se reflete num salto de 16,5% na cotação internacional da gasolina e 11,3% na do gasóleo — tem uma explicação geopolítica clara: a tensão no Médio Oriente. O destaque vai para o recente encerramento do Estreito de Ormuz.
Este estreito é um "gargalo" vital para a economia global, por onde passam cerca de 20% de toda a produção mundial de petróleo e quase 20% do gás natural liquefeito (GNL). O seu bloqueio gera um estrangulamento imediato na oferta e inflaciona os preços nos mercados globais.
Para tentar mitigar este choque nos bolsos dos portugueses, entra em vigor esta semana uma nova redução temporária do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP). Esta medida devolve parte da receita extra do IVA, garantindo uma poupança de:
4,997 cêntimos por litro no gasóleo;
2,699 cêntimos por litro na gasolina.